terça-feira, 6 de julho de 2010

O RÁDIO

No dia 3 de dezembro de 1967,
O caudilho chegou à nossa janela:

__Peço licença à dona Socorro, ao seu Zé Maria, à gata Pai-West,
Ao Wálder, à Fátima e à outra Fátima do Gás Butano,
Até mesmo ao Zé da Praga
Para dizer que o Francisco mandou um rádio.


O Francisco mandou o quê?__ questionou Catito,
Suspendendo o calção e o ombro esquerdo.


Catito, meu branco, licença, o Francisco mandou um rádio, __
Asseverava o caudilho em continência a Catito.


(O francisco mandou um rádio)


Atenção!
Posicionou-se o caudilho antes de ser lida a sentença:
__O francisco tem febre, dispnéia e suores noturnos.

Sim, mas quedê o rádio? __ inquiriu nossa mãe, meio encalistrada,
Inspecionando o decote para se dar ao respeito.


__ Não; o rádio é essa notícia que eu acabei de informar,
Que o Francisco tem febre, dispnéia e suores noturnos.
A Senhora queria que o rádio fosse o quê?



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