A fome tem seus arroubos,
Mas de mim não tira ofertas,
Porque tenho os meus estetas
Incoercíveis de lobos.
Nossa senhora dos cardos,
A fome que nunca dorme,
Parece um demônio enorme
Esta senhora dos pardos
Rebanhos que ela domina.
Pelo temor que fabrica
Ficou tão podre de rica
Que parece uma menina.
Divindade malfazeja,
Musa da religião
Que sempre vence a razão
Pregando o jejum na igreja.
A fome de boca aberta
Tem voto suficiente
Para eleger presidente
No dia da votação.
Insensível coração,
A fome não houve o muar
Das bestas que vão pastar
Em sua religião!
Senhora austera de luto,
Sombra magra de malsão,
Fiadora de caixão,
A fome é a mãe do temor,
A grande escola da vida,
Cata sobras de comida
Pra ronda do quarteirão;
A fome de boca aberta
Tem voto suficiente
Para eleger presidente
No dia da votação.
AGALAMA: Helder Alexandre Ferreira
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