terça-feira, 22 de junho de 2010

CATITO DEBAIXO DA CAMA

Vou introduzir
Meu apelido no poema.


Cachito
Não o mauricinho de Emilinha borba,
Que numa tarde de Oscarito,
Dava o ar de sua graça
descendo na televisão,
Mas Cachito casca amarela,
Alaranjado verde de fome.


Dezembro todo amarelo
Defronte da bodega de dona Alice
Onde se ia buscar fiado
Lá estava Cachito...
Era franzino, branco, pescoço alvo, dentes amarelos,
Cicatriz na coxa esquerda,
Tinha
O ombro esquerdo levemente mais alto que o direito.
(Procurem Cachito...)


Um dia
Emília parou para ver Cachito
Fazer os deveres de casa e disse:
__Pobrezinho de Cachito, tão amarelo!...

Toínha brincava na ruaMazé cantarolava:


__Catita sai!

__Não sai!





Procurem Cachito debaixo da cama,
Faz tanta falta para ir à venda
Buscar docinhos e cigarros.
(Procurem Cachito.)


(Procurem Cachito.)
(Procurem.)


Amarrem-no com força pelos pés e pelas mãos.
(Procurem Cachito)
E o deitem defronte da bodega para que fique mais corado.
(Procurem. Procurem.)
Faz tanta falta para ir à venda
Buscar docinhos e cigarros...
(Procurem. Procurem.)
Cachito é fujão.
Foi-não-foi está debaixo da cama.


(Procurem Cachito.)



AGAMA: Helder Alexandre Fererira






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