sábado, 22 de maio de 2010

Soneto da Razão Pura

Prazer, monstro de escuridão e rutilância,

Tu me maltratas desde a minha velha infância,

Com a máquina de fazer felicidade!

Talvez o mundo dos fenômenos sensíveis

Já não decifre o metafísico mistério,

A digestão bem feita do manjar funéreo

Que o etéreo inspira é uma aberração...

Eu sou a sombra do que sou eternamente,

Quando a vontade encontra seu correspondente,

Para o desejo transcender a condição...

Eu sou a noumenalidade da razão,

O furo pulsional que dá felicidade,

Eu sou efeito-causa dessa liberdade

Apercebida na caverna de Platão.

AMALGAMA: Helder Alexandre Ferreira

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