Pequena Crônica
Aconteceu no tempo em que eu usava calças curtas.
O domingo era o dia em que a gente se arrumava com mais esmero, esnobando a roupa que se melhor nos aprouvesse. O meu guarda-roupa ficava na última gaveta do armário, um móvel com espelho e seis prateleiras, que minha mãe havia comprado em doze prestações nas Lojas Bel-lar. Era o último ano da década de 1960, eu tinha dez anos completos, quando meu pai tirou a sorte grande, meu pai ganhou vinte milhões na loteria e comprou uma casinha branca num bairro moderno. A casa tinha uma fachada um tanto quanto soberba. A casa que meus pais compraram era muito bonita, havia um oitão, um jardim, amplo quintal; a garagem era toda na cerâmica, nada de grades, porque não existia violência nas ruas. A casa tinha três quartos, uma sala de visitas, outra de jantar, cozinha, despensa, banheiro, uma área de fundos, outra de serviço, onde ficava a casinha do motor de puxar água. Na casinha do motor sempre tinha um sapo refugiando-se da chuva.
__Aquele sapo foi o meu primeiro analista.
AGALMA: Helder Alexandre Ferreira.
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