sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

TELÚRICAS

           T  E  L  Ú  R  I  C  A  S



Quando em mil novecentos e setenta e quatro,

O teu amor era imortal, era invencível,

Tu, contra o muro da Bezerra de Menezes,

Bateste a cara mais de cento e oitenta vezes,

O teu amor angustiado, boca muda,

Sentado à beira do caminho de defronte,

Sempre sonhando em alcançar a paz de Buda

Na tua casa, esquina com Humberto Monte.

Tu hoje escarras no concreto dessa ponte

Que te não deixas ver a linha do horizonte,

A Humberto Monte tomou ares de Avenida...

Eu assisti à crucial metamorfose,

Dentro de uma sintaxe real, bem definida;

De boca muda, a Mister Hull, compadecida

Da minha triste acentuada escoliose.


AGALMA: Helder Alexandre Ferreira

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