terça-feira, 22 de dezembro de 2009

U M A L A M A

Caiu por sobre o estige a tua mágoa funda;

Logo depois no lodo espolinhando imunda,

A ingratidão em fúria para sempre afunda,

Sem lâmpada a descer à região profunda.

Esta pantera ingrata, sensual, voluta,

Tombou como num limbo qual matéria bruta.

A última quimera (que a vida sepulta)

Não cabe no teu corpo inerme, que disputa

A mais fiel das companheiras nesta luta;

Numa explosão de cores desabrocha à beça

Esta espiral de rimas no teu peito espessa,

Caiu como uma luva cai na mão que afaga,

Ferindo o estradivário, arrenegando a praga,

Outro destino a mágoa no teu corpo alcança,

Contigo sobre o lodo nesta contradança.

AGALMA: Helder Alexandre Ferreira

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