sábado, 10 de outubro de 2009

SONHO COM NEY MATOGROSSO

Conteúdo do sonho:


Eu pela milionésima vez fui ter com o deputado Nirez Moraes. Ao chegar ao escritório político percebi de cara que estava havendo furdunço, não obstante as eleições sejam para o ano que vem, ainda estamos no primeiro semestre do ano de 2009. Apesar da aglomeração na ante-sala do gabinete completamente lotada de mulheres que traziam crianças ao colo, histéricas, aproveitavam o ensejo para fazer proselitismo religioso. Eu, com muita ginástica imiscui-me por entre corpos suados, sentindo cotoveladas e os solavancos de mulheres pudicas, enfim, aos trambolhões, consegui chegar à porta do gabinete do deputado e dá de cara com ele. Nirez Moraes assomara no limiar da porta com o fito de mitigar a situação:
_Gente, isso não é democracia, falem um de cada vez; homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos desta constituição, __dizia isto, erguendo com a mão direita a constituição federal para que fosse vista por todos ali. O deputado, no sonho, estava em seu traje habitual, paletó preto, gravata azul, sapato preto, meia social, tudo como convém a um parlamentar. Digo que não se encaixa em nenhum modelo de beleza masculina, mas é um homem elegante o deputado, um homem que se veste alinhadamente. Lembrou-me agora aquele episódio pitoresco de quando minha mãe, vasculhando os meus pertences encontrou um “santinho” do deputado do pleito eleitoral passado; mamãe fizera-me uma pergunta em tom sarcástico, olhando a fotografia do homem, virou-se pra mim e exclamou: “Quem é essa marmota!” Houve época em que eu fazia política partidária e sempre me via envolto com santinhos de candidatos, chegava atrasado para o almoço, o que abria um precedente para que mamãe indagasse de mim quem era o cabra velho com quem eu conversava tanto. “Quem é esse cabra velho que te faz perder tanto tempo assim na vida?” Ah, eu ainda vou descobrir, ora se vou...


PENSAMENTOS DA VIGÍLIA


Eu sempre vou à Assembléia Legislativa pedir favores a deputados. Os políticos são as pessoas ideais, quando estamos precisando de recursos, por isso recorro à Assembléia ou à Câmara Municipal sempre que a circunstância pede que se procure recursos. A primeira vez que ouvi a palavra recurso foi da boca de minha mãe. Quando fomos morar na Parquelândia, em 1969, nossa mãe, que era funcionária pública municipal, pedira transferência da Sub-Prefeitura de Antônio Bezerra, __ lugarejo em que morávamos antes de o meu pai tirar a sorte grande na Loteria Estadual do Ceará, isto aos seis de dezembro do ano de 1968, __ para a prefeitura do centro, nossa mãe aspirava a ser empossada no gabinete do prefeito, tinha muita simpatia por José Walter Cavalcante o então prefeito de Fortaleza àquela época. O Sub-prefeito de Antônio Bezerra, Geraldo Bezerra vetou o livre-arbítrio de mamãe, disse que não podia transferi-la para o gabinete do prefeito ao que mamãe retorquiu perguntando-lhe o porquê. Geraldo Bezerra saiu-se com essa: Sugiro que a senhora trabalhe na prefeitura da Barra do Ceará. “O quê? Eu, uma moradora de São Gerardo, trabalhando naquele fim de mundo, tendo que tomar aquele ônibus superlotado”. Seu Bezerra, o senhor não está entendendo nada, eu, agora, tenho residência em São Gerardo. Por isso mesmo, __ retorquiu Bezerra. A senhora mora em São Gerardo, caminha alguns quarteirões, chega a Bezerra de Menezes, apanha o ônibus da Barra, tão simples... Contesto. Como já disse, moro em São Gerardo, lugar de pessoas educadas, não posso misturar-me àquela gentalha. Pois então a senhora vá procurar recursos, __ disse isto numa atitude de enfrentamento, a perna direita apoiando o corpo contra a parede, braços cruzados, com indiferença no olhar, Bezerra sentira como ofensa contra si a expressão aquela gentalha que mamãe, exacerbada de emoção proferira sem nenhuma intenção de magoar ninguém.


ANÁLISE


Dia desses enviei um emêiul para o Ney Matogrosso. Eu sempre achei o Ney um artista completo, a voz mais bonita da música popular brasileira. Em minha página (nos meus vídeos) dou preferência a este grande talento da música. Tem gente que desconfia de certas preferências. No sonho, a expressão “ cabra velho”, que mamãe insinua tem essa conotação de desconfiança, preferência por retratos de rapazes (políticos). É notória a irreverência de Ney Matogrosso, sempre nu da cintura para cima, cheio de purpurina e maquiagem, artista de grande sensibilidade. O propósito do meu emêiul foi pedir ao Ney que desse uma lida nos meus poemas, eu estava, de certa forma, buscando ajuda, procurando recurso, e hoje, a Internet é uma espécie de terra da promissão, ótimo atalho para se procurar recursos, recurso financeiro, sentimental, educacional, etc., enfim, escrevi para o Ney Matogrosso em busca de recursos. No sonho, eu o substituo por Nirez Moraes, deputado aqui da minha terra, deduzi isto a partir dos nomes que começam pelas mesmas letras: Ney Matogrosso e Nirez Moraes, os elementos que fazem o nexo entre o conteúdo do sonho e os pensamentos oníricos são as letras N e M. O fato de surgir trajado a rigor é justamente o oposto dos pensamentos oníricos, Ney Matogrosso sempre teve essa característica irreverente de cantar nu da cintura para cima e até aparecer de sunga em certos espetáculos, portanto o paletó com que Ney Matogrosso se veste no meu sonho é uma distorção imposta pela censura onírica, e vou mais fundo, pela proibição de mamãe (o superego) no que diz respeito à expressão quem é esse cabra velho.


Sonhos são realizações de desejos.
O conteúdo do sonho é uma deformação do conteúdo latente, dos pensamentos oníricos. Estes pensamentos entram na formação do sonho, escolhendo as associações mais pertinentes e justamente opostas aos desejos inconscientes.


O mais importante na elaboração onírica é o afeto ( o estado de ânimo) que experimentamos no sonho que não o a representação ideativa do conteúdo, por exemplo, se sonho com ladrões invadindo a minha casa, os ladrões são imaginários, mas o medo é real, isto prova a intensidade dos afetos e sentimentos no contudo do sonho.

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