segunda-feira, 11 de maio de 2009

O FIDALGOTE

Mansão feérica de antigos minuetos

Acena o ócio pra centúria de sonetos,

De quando em noite negra ou aurora indefinida,

Na bidimensionalidade da Avenida,

No ócio da Avenida Bezerra de Menezes,

Um trono de paixão, esplêndido mil vezes...



Havia vários meses, certo fidalgote

Corria entre os canteiros a buscar a sorte;

A muita bela da mansão vê das colinas

Aquele amor de fidalgote dobra-esquinas.



A flor da idade é semelhante a uma serpente!

Pois neste desenlace triste, de repente,

Pulsando na consorte a espada de Perseu,

O fidalgote da fidalga se perdeu.

Que lúbricos anseios o rapaz sentia,

A alma aprisionada amado ver teria

Como reflexo d’alma aquela realeza,

A sita na mansão! A cópia da Beleza!

Para os mortais de então da bela Fortaleza,

Aonde em cada ninho um pássaro canoro,

No ócio da abóbada noturna da Avenida.



E fidalgote algum jamais entrou em frias

Situações como essas de tomar remédio,

A muito bela foi tomada pelo tédio

Entre cachorros de beiral e lájeas frias.




Um trono de paixão, esplêndido mil vezes,

No ócio da Avenida Bezerra de Menezes;

Mansão feérica de antigos minuetos

Acena o ócio pra centúria de sonetos.




Helder Alexandre Ferreira
AGALMA


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