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sábado, 25 de abril de 2009
C O B R A S D E J A L E C O
De branco, sádicos-orais canibalescos,
Alguns por serem frescos, lésbicas, megeras,
Por manifestações, talvez, das bestas-feras,
Comprazem-se os carrascos com fazer dantescos:
Escondem prontuários, trocam as crianças,
Até os mortos são trocados de ordinário,
Que por maldade das piores, o ossuário
Aponta morte natural de circunstância.
Aqui jazem os sonhos que eram nossos!...
Apodreceram ossos; e as raízes,
Que mortas de felizes, nesta terra,
Têm o detalhe dos neurôticos de guerra;
Talvez que a besta-fera queira remover
A pedra do sepulcro pra se comprazer,
Olhar de Deus e de megera a um só tempo;
Talvez a Coisa exulte mas se compadeça,
Impreco a Deus que este hospital não amanheça,
E que apodreça sobre o corpo da enfermagem,
Que por maldade das piores a equipagem;
Impreco a Deus, à grandiosa natureza
Esta justiça universal que sempre vem
Resplandecer e separar o mal do bem.
Pulsões Sonetos e outras poesias
Helder Alexandre Ferreira
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