A T O S - F A L H O S
Sigmund Freud criou essa designação entre 1915 e 1917 para agrupar atos cuja realização implica uma falha evidente de algum mecanismo psíquico.
Os atos-falhos foram agrupados em sete tipos: ORAIS, ESCRITOS, DE FALSA LEITURA, e de FALSA AUDIÇÃO, ESQUECIMENTO TEMPORAL, PERDAS e ATOS SINTOMÁTICOS.
O estudo dos atos-falhos é importante porque eles DENUNCIAM falhas de mecanismos que só se revelam em toda sua magnitude em determinadas CIRCUNSTÂNCIAS.
Os atos-falhos são SINTOMAS, mesmo s apresentando em estados de saúde e estando posteriormente ligados a SINTOMAS NEURÓTICOS, sem que isso represente uma falha nas funções normais da Mente.
Certas situações inadequadas do nosso funcionamento mental e certas situações aparentemente despropositadas, absurdas, podem ser mostradas através da Psicanálise, como determinadas por motivos dos quais não se tinha CONSCIÊNCIA até o momento. Isto significa que não há nada casual, mesmo o esquecimento de um guarda-chuva. Quando uma senhora esquece o guarda-chuva na igreja, tal esquecimento se explica pelo desejo de um tempo bom, aberto, sem temporais; se não guardamos o emeiu de um amigo ou de uma amiga, ou o perdemos, é que não temos nenhum interesse em tal pessoa, isto provém da nossa RESISTÊNCIA (ANTICATEXIA), e tal repúdio, às vezes, é revelado pelos atos-falhos que cometemos. Esses processos psíquicos estão além do que pode ser admitido como CONDUTA NORMAL; são distúrbios
temporários de uma função que em outro momento pode ser perfeitamente desenvolvida. Sua incorreção, em geral, é reconhecida assim que a ATENÇÃO se focaliza em tal objeto.
Mas dizer que tais distúrbios ocorram por falta de atenção é apenas uma verdade presumível. O fato é que a atenção concorre para que ocorra o ato-falho. Por quê? Nós os sarcedotes da Lira temos o hábito de pôr entre aspas versos que não são de nossa autoria, o que já se tornou prática, costume, é o que habitualmente praticamos. É de PRAXE escrever entre aspas versos e pensamentos de outros artífices da palavra, por isso Ernest Jones sugere, para esse agrupamento, o termo PARAPRAXIA, por analogia com a APRAXIA, portanto os atos-falhos, não obstante sejam por conta da “DESATENÇÃO” ocorrem mais por conta dela, uma vez que os nossos processos Mentais estão RIGOROSAMENTE DETERMINADOS POR AQUILO QUE REGE O NOSSO PENSAMENTO: Somos comandados por desejos e intenções inconscientes; muitos dos pensamentos para os quais não se achavam uma causa imediata (como perder um CD de um amigo, por exemplo.), na verdade a têm, muito precisa e definível, independente de fatores fisiológicos como distúrbios circulatórios ou indisposição, estresse, etc, ou causas psicofisiológicas como excitação, ansiedade, sugestão, distração, etc, pois o ato-falho é um ato psíquico completo, com finalidade específica, e com manifestação de conteúdo e significação próprias. É o que se pode chamar de segundas intenções onde a intenção latente (oculta) substitui por completo a intenção manifesta.
A intenção latente (oculta na pessoa) é DEFORMADA PELA INTEÇÃO MANIFESTA, dando origem a verdadeiras cabeças de Medusa. Para ilustrar temos o exemplo de Dom Pedro II. Ao sair do Hospital apoiando-se em duas muletas, a oposição escreveu assim: Dom Pedro deixa o Hospital acompanhado de duas mulatas. É que o imperador tinha fama de mulherengo. Vê-se que havia jornalistas que tinham a intenção de derrubar a monarquia. Quando temos de fazer algo para alguém, mas não queremos fazê-lo por algum motivo, o nosso psiquismo recorre a este tipo de conduta anormal, e como instinto de autoconservação, a gente argumenta que foi um erro lamentável.
Para entendermos o SENTIDO dos atos-falhos, devemos recorrer a sua gênese, montada pela ação conjunta de duas tendências distintas: Uma parte perturbadora, que é a intenção oculta (por exemplo, disseram que fulano é safado, então vamos pregar uma peça nele.). Essa intenção fica latente, porque depois de feito o estrago, a pessoa não admite o MOTIVO, e o atribui à falta de atenção. O indivíduo conhece a tendência perturbadora (Com que então temos um Dom Juan na classe...) antes de PUBLICAR O ATO-FALHO; a tendência perturbadora é reconhecida, mas antes do equívoco, o indivíduo ignora que ela (aquilo que o padre falou) se encontre em atividade no sistema pré-consciente.
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