sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A T A V I S M O S


Meu peito era vazio e treva antes de Febo;


A celebrada musa antiga está no sebo;


Fascínio no peito de atávica beleza...


Quando os olhos se excitam de delicadeza,


Os braços para cima, o porte de princesa,


Debutante e coquete com trinta e dois dentes.


__De andar manso, sutil, vai forçando a estrada,


Escondida emboscada, sempiternamente,


Essa caixa torácica (as grades do peito)


De garras para cima, calcando o firmamento,


Por que o poeta estude seu comportamento.


Deu-se por satisfeito, ó Deus, que essa costela,


Agora com trinta e dois dentes, resultante,


Apresentou-se como sendo a minha amante?


MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros

Helder Alexandre Ferreira


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