Eu fui um poço de virtudes desprezível;
A castração em mim fez um esgar terrível,
No contingente, fui a dama das camélias.
Eu não dormia nem de costas nem de lado
Pra não dá chance ao rufião aquartelado;
Eu destilei uma moral de mulher velha...
E não há que traga a mim consolo a esse horror
Cujo tamanho se compara ao dos infernos,
Eu de mulher alguma tive os olhos ternos.
Fui um infante triste, mas triste de não ter jeito;
Também tinha um defeito de nome escoliose,
Porém o que me impressionava era a fimose,
Em plena flor da adolescência isto era dose.
Quando a metamorfose, que, nos meus pulmões,
O verbo de Camões vibrou no meu cachaço,
Eu era puro hormônio, e parecia de aço,
Sendo o contínuo elétrico da Móveis de Aço.
MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros, Helder Alexandre Ferreira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário