quarta-feira, 4 de março de 2009


Eu fui um poço de virtudes desprezível;


A castração em mim fez um esgar terrível,


No contingente, fui a dama das camélias.


Eu não dormia nem de costas nem de lado


Pra não dá chance ao rufião aquartelado;


Eu destilei uma moral de mulher velha...


E não há que traga a mim consolo a esse horror


Cujo tamanho se compara ao dos infernos,


Eu de mulher alguma tive os olhos ternos.


Fui um infante triste, mas triste de não ter jeito;


Também tinha um defeito de nome escoliose,


Porém o que me impressionava era a fimose,


Em plena flor da adolescência isto era dose.


Quando a metamorfose, que, nos meus pulmões,


O verbo de Camões vibrou no meu cachaço,


Eu era puro hormônio, e parecia de aço,


Sendo o contínuo elétrico da Móveis de Aço.




MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros, Helder Alexandre Ferreira.





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