Minha voz se detém no acostamento.
Eu pareço um camelo olhando a lua.
Não há ninguém sorrindo dos teus olhos,
Além das borboletas do crepúsculo.
Oh fechas quase os olhos, mas não fechas,
Deixas entrar uns sonhos acordados,
Uma família inteira de poetas;
Não é crime roubar o teu retrato!...
Eu te amo como um incendiário louco
Que põe fogo na casa de improviso,
É meu amor que tinge o teu retrato.
Além desta viagem que me acerca
De um gato que atravessa a rua agora,
Morrendo e resistindo é o meu amor!
E cheio de teus olhos nos meus olhos,
Eu tenho o coração cheio de sonhos,
E as mãos votivas do canto em que se alam
Os teus anadiomênicos retratos.
De toda crença o teu colo perfeito,
E feito de asas tênues teus cabelos
De toda inspiração são para mim
A forma delicada de teus sonhos.
De toda terra enferma os sonhos meus
São estes sonhos mediterrâneos loucos
Que desposam tua louca boca fria...
E votivos de sombras os palmares
De teus olhos dormitam na lonjura
Dessa praia deserta em mim queimante.
De Cem Sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira
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