quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

R E T R A T O D E Z I N A H




Minha voz se detém no acostamento.

Eu pareço um camelo olhando a lua.

Não há ninguém sorrindo dos teus olhos,

Além das borboletas do crepúsculo.

Oh fechas quase os olhos, mas não fechas,

Deixas entrar uns sonhos acordados,

Uma família inteira de poetas;

Não é crime roubar o teu retrato!...

Eu te amo como um incendiário louco

Que põe fogo na casa de improviso,

É meu amor que tinge o teu retrato.

Além desta viagem que me acerca

De um gato que atravessa a rua agora,

Morrendo e resistindo é o meu amor!

E cheio de teus olhos nos meus olhos,

Eu tenho o coração cheio de sonhos,

E as mãos votivas do canto em que se alam

Os teus anadiomênicos retratos.

De toda crença o teu colo perfeito,

E feito de asas tênues teus cabelos

De toda inspiração são para mim

A forma delicada de teus sonhos.

De toda terra enferma os sonhos meus

São estes sonhos mediterrâneos loucos

Que desposam tua louca boca fria...

E votivos de sombras os palmares

De teus olhos dormitam na lonjura

Dessa praia deserta em mim queimante.



De Cem Sonetos de Eros

Helder Alexandre Ferreira

Nenhum comentário:

Seguidores

DOXA