O vício cai por sobre mim como uma praga,
Peço que traga uma garrafa de aguardente,
Esta pantera quente a quem eu presto culto,
Apóia as mãos à mesa do meu vício inculto.
Nesta garrafa, um vulto de mulher raquítica
Parece que critica o meu peito doente.
Ah! que tristeza sente a mãe de um poeta!
Chorando a chaga de seu filho, essa mãe sente
Necessidade de tomar uma aguardente,
Porque gerou no ventre a sua expiação;
Essa mulher escarra na boca do filho
A quem só ela assiste dos planos maternais
Um nome de blasfêmia e ódio universais.
MADEIRAMES: Cem sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira
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