sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

XCIV - MADEIRAMES

O vício cai por sobre mim como uma praga,


Peço que traga uma garrafa de aguardente,


Esta pantera quente a quem eu presto culto,


Apóia as mãos à mesa do meu vício inculto.


Nesta garrafa, um vulto de mulher raquítica


Parece que critica o meu peito doente.


Ah! que tristeza sente a mãe de um poeta!


Chorando a chaga de seu filho, essa mãe sente


Necessidade de tomar uma aguardente,


Porque gerou no ventre a sua expiação;


Essa mulher escarra na boca do filho


A quem só ela assiste dos planos maternais


Um nome de blasfêmia e ódio universais.




MADEIRAMES: Cem sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira

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