quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

XCV- M A D E I R A M E S


Os meus desejos recalcados dançarão


Sobre o objeto primário da satisfação

Numa coreografia de danados.

Na absconsa e estranha gruta qual vasos furados,

Ratos esfomeados na lata do lixo,

Por um suposto no capricho de malsão.

Os mil anos de sonho e desejos mancos

Vão subindo às paredes pesados tamancos;

Os saltimbancos de carranca desdentada

Ficam de frente pra janela escancarada,

E o negro véu esconde a luz outrora branca.

__Quando ensurdecem meus ouvidos fica a musa

Paralisada na janela que me acusa

Com a carranca desdentada de malsão.



Helder Alexandre Ferreira, Cem sonetos de Eros

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