sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

D I O T I M A

És falta de asa vigorosa, ascensional;

És ansiante, erguida num punhal sangrento;

Na dor e no lamento que sobe e que desce,

Nos aguaçais, arquejam, com segunda voz,

Os sapos martelando essa balada atroz,

Beleza de langor! Beleza que faz mal!...

Anêmica mulher saída do hospital,

Teu seio exangue já murchado como alcova,

Cova de súcubos cruéis para o elegíaco

Contaminar-se nos miasmas de teu bico.

Por sobre a nebulosa capa alabastrina,

Enquanto a loba nutre as harpias mais cretinas,

A treva se adelgaça, e o crepe das cortinas

Acorda sapos sentinelas nas sentinas.




Helder Alexandre Ferreira, Cem Sonetos de Eros.

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