domingo, 25 de janeiro de 2009

M A R I L Y N

Nasceu em Sítios Novos, viveu no Coqueirinho,

O pai tinha carranca, a mãe era abissal.

Cantava no quintal a marcha do gelinho,

Olhou-me, quase morta, recostada à porta,

Os olhos derramavam quão triste querela,

Então supus que eu era amor de sua irmã...

O pai tinha uma gráfica na Aldeota

E um jipe guarnecido de preta capota.

Mudou-se pra Érico Mota, a rua preferida

Da mãe favorecida por mil cruzeiros novos,

Filha de Sítios Novos (uma beleza rara)!

Que aos anjos se compara o rosto da suposta,

Da qual minh’alma gosta pela eterna lei,

Com quem jamais troquei sequer um monossílabo.





MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros, Helder Alexandre Ferreira











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