Esse lugar redondo, imenso que balança,
No coração balança o corpo em contradança;
E mesmo em face desse grande desencanto,
Dela se desiludir mais quando lhe vejo,
Eu reproduzo este objeto do desejo,
Eu sou um percevejo presumido e tanto...
Do alto céu ao mar alto aponta o meu destino
O fundo deste abismo cujo libertino
Tombar como um cretino agora em desencanto
Não tenha mais o encanto (do céu seja exilado)
O céu do meu destino aponte o mastro e as vergas,
A bordo do navio, todas as entregas,
O meu desejo fique no seu corpo fixo,
Espetado em suas carnes como um percevejo.
MADEIRAMES: Cem sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira
Nenhum comentário:
Postar um comentário