quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

LCVIIII - MADEIRAMES

Esse lugar redondo, imenso que balança,

No coração balança o corpo em contradança;

E mesmo em face desse grande desencanto,

Dela se desiludir mais quando lhe vejo,

Eu reproduzo este objeto do desejo,

Eu sou um percevejo presumido e tanto...

Do alto céu ao mar alto aponta o meu destino

O fundo deste abismo cujo libertino

Tombar como um cretino agora em desencanto

Não tenha mais o encanto (do céu seja exilado)

O céu do meu destino aponte o mastro e as vergas,

A bordo do navio, todas as entregas,

O meu desejo fique no seu corpo fixo,

Espetado em suas carnes como um percevejo.


MADEIRAMES: Cem sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira

Nenhum comentário:

Seguidores

DOXA