sábado, 3 de janeiro de 2009

LC- M A D E I R A M E S


É tão contrário a si o amor no coração;

É um suave ladrão solitário entre a gente,

Sonho defunto, o amor acorda descontente,

E desatina o coração, e toca, e mata;

É conformar-se com mil golpes de chibata;

É um lugar saqueado que a gente carrega...

A tanto o amor obriga por obra do amado.

É o amor cedo morto pelo fogo que arde,

Contente e descontente, __ a prematuridade

Procura a nômade formosa da saudade,

Esta saudade que sentimos antes da hora;

É chama oculta que, no inverno, o peito aquece

O céu deste lugar com brilho transmontano,

Quando este rio se transforma em oceano.



Helder Alexandre Ferreira, Cem Sonetos de Eros, soneto LC

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