M A D E I R A M E S
LCI
Quando as facas furam o zinco de teu quarto,
Serpentes vão buscando o brilho de tua luz:
Aquela estrela que tu ouves da janela
É a permanência transcendente das eróticas
Do corpo, a torre de babel, onde o desejo
Ajuda a proliferação dos epiciclos;
Aquela estrela foi furtada ao espaço trágico,
Foi dissolvida em pequenos armilares;
Os epiciclos oculares são os olhos
Do fogo convertido em neve... É tão sublime
Ouvir estrelas e banhar-se no esplendor
Da escuma fria de arcangélica brancura!
Em hausto de agonia, o corpo é a selava escura
Até que no mar alto os olhos da amargura
Sejam as armas e os barões assinalados.
Helder Alexandre Ferreira, Cem Sonetos de Eros
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