quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

M A D E I R A M E S





LCI



Quando as facas furam o zinco de teu quarto,




Serpentes vão buscando o brilho de tua luz:



Aquela estrela que tu ouves da janela



É a permanência transcendente das eróticas



Do corpo, a torre de babel, onde o desejo



Ajuda a proliferação dos epiciclos;



Aquela estrela foi furtada ao espaço trágico,



Foi dissolvida em pequenos armilares;



Os epiciclos oculares são os olhos



Do fogo convertido em neve... É tão sublime



Ouvir estrelas e banhar-se no esplendor



Da escuma fria de arcangélica brancura!



Em hausto de agonia, o corpo é a selava escura



Até que no mar alto os olhos da amargura



Sejam as armas e os barões assinalados.





Helder Alexandre Ferreira, Cem Sonetos de Eros





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