sábado, 17 de janeiro de 2009

Escude-te, ó minh’alma, com a beleza!

Em cores super-realistas fica quieta,

Não deixa que o prazer algoz de quão abjeta

Possessão amaldiçoada do outro esteta

Se te venha aos gazões unir de outro poeta.

__Acautela-te, minha alma desse mal,

Do precioso metal enterrado na lama:

O esgar blasfemo de semblante tumular,

Os pés postos na lama__ afogada em orgias__

Tal beleza se pinta de cores sombrias,

Se veste como a tarde cinza de um lugar...

A minh’alma sucumba! E nem em pensamento

Surpreendê-la jamais consiga o gozo fácil

Dessa pantera que se chama a Flor do Láscio.



Helder Alexandre, Cem sonetos de Eros

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