Escude-te, ó minh’alma, com a beleza!
Em cores super-realistas fica quieta,
Não deixa que o prazer algoz de quão abjeta
Possessão amaldiçoada do outro esteta
Se te venha aos gazões unir de outro poeta.
__Acautela-te, minha alma desse mal,
Do precioso metal enterrado na lama:
O esgar blasfemo de semblante tumular,
Os pés postos na lama__ afogada em orgias__
Tal beleza se pinta de cores sombrias,
Se veste como a tarde cinza de um lugar...
A minh’alma sucumba! E nem em pensamento
Surpreendê-la jamais consiga o gozo fácil
Dessa pantera que se chama a Flor do Láscio.
Helder Alexandre, Cem sonetos de Eros
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