sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

LCIII- M A D E I R A M E S


Com flamante ímpeto, ódio e braço forte, à onda



Agrada comandar, com ar de vencedora,


O pequenino seixo que na praia mora:


A pedra de granito que o poeta sonda,


E o céu que bate na onda com furor salgado,


E turvos sois são vistos do chapéu furado,


A jóia rósea e preta do dia que amanhece,


O mais negro do peito que, cheio de mágoa,


A noite não apaga, ao pé desta janela.


Com ar de vencedora, a onda fataliza,


E a pedra então desliza do alto do divã.


A pedra é o olho fixo ao pé desta janela,


O pé pisando cada vez que se recorda,


Que no caminho acorda, e a vida fataliza,


Do céu então desliza a estrela da manhã.





MADEIRAMES: Cem sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira






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