domingo, 14 de dezembro de 2008

S O N E T O A L C I D I A N O


LXXXVIII


Amo uma mulher que escarra sangue e vê fantasmas;

Aquela ali, que veio dos jardins de Zeus,

Jogar farofa de ossos no ventilador;

Aquela ali, que vai dizendo nomes feios,

Se vir na frente outra mulher de fartos seios;

Aquela ali, que tem alface na cabeça.

Eu amo uma mulher parnasiana e louca;

Aquela ali! que tem o corpo escaveirado

Já teve namorado antes de ser modelo;

Aquela ali! que tem o bico de rapina,

Que toda vai desengonçada como uma garça,

Fugiu-lhe breve as carnes nessa dieta escassa.

__Eu amo uma mulher tuberculosa e feia;

Aquela ali! de corpo esquálido, magrela,

Nos êxtases supremos de uma passarela!


HELDER ALEXANDRE FERREIRA. MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros




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