S O N E T O A L C I D I A N O
LXXXVIII
Amo uma mulher que escarra sangue e vê fantasmas;
Aquela ali, que veio dos jardins de Zeus,
Jogar farofa de ossos no ventilador;
Aquela ali, que vai dizendo nomes feios,
Se vir na frente outra mulher de fartos seios;
Aquela ali, que tem alface na cabeça.
Eu amo uma mulher parnasiana e louca;
Aquela ali! que tem o corpo escaveirado
Já teve namorado antes de ser modelo;
Aquela ali! que tem o bico de rapina,
Que toda vai desengonçada como uma garça,
Fugiu-lhe breve as carnes nessa dieta escassa.
__Eu amo uma mulher tuberculosa e feia;
Aquela ali! de corpo esquálido, magrela,
Nos êxtases supremos de uma passarela!
HELDER ALEXANDRE FERREIRA. MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros
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