Cabeça grande, o corpo é de leão,
Justaposto à pirâmide do Egito,
O gênio sepulcral vive proscrito,
Imerso em mais profunda solidão.
Por simbiose onírica paria,
No leito nupcial, a mulher nua,
Ubérrima, louçã, que Amor cultua,
Quatrilhões de litófágos daria
À lua um feto morto que seria
O café da manhã, autofagia,
A descendência adúltera do incesto;
O cadáver do sonho podre fica
No porão do recalque, mumifica
O sintoma horroroso, manifesto.
VITRAL: Poesias, Helder Alexandre Ferreira
Nenhum comentário:
Postar um comentário