domingo, 21 de dezembro de 2008

P E S A D E L O

Cabeça grande, o corpo é de leão,

Justaposto à pirâmide do Egito,

O gênio sepulcral vive proscrito,

Imerso em mais profunda solidão.

Por simbiose onírica paria,

No leito nupcial, a mulher nua,

Ubérrima, louçã, que Amor cultua,

Quatrilhões de litófágos daria

À lua um feto morto que seria

O café da manhã, autofagia,

A descendência adúltera do incesto;

O cadáver do sonho podre fica

No porão do recalque, mumifica

O sintoma horroroso, manifesto.



VITRAL: Poesias, Helder Alexandre Ferreira

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