quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Esta janela hoje não dá nenhum prazer,

Socavo o barro da existência que umedece

Este suposto esférico amor que sobe e desce

Como um terçol queimando a pálpebra de Zeus...

Eu tenho os olhos na surpresa da janela,

Naquela rosa geométrica, sem nexo,

Que há de unir agora o côncavo e o convexo;

Eu contemplo o que há de silêncio e maravilha

Suspenso da amplidão do céu onde palmilha

Esse crepúsculo de barro que anoitece,

Esse cavalo de São Jorge (rosa de aço),

Esse chapéu por onde canta o rouxinol,

Como um terçol queimando a pálpebra do sexo,

Eu tiro sarro da mulher parnasiana.



MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira




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