Esta janela hoje não dá nenhum prazer,
Socavo o barro da existência que umedece
Este suposto esférico amor que sobe e desce
Como um terçol queimando a pálpebra de Zeus...
Eu tenho os olhos na surpresa da janela,
Naquela rosa geométrica, sem nexo,
Que há de unir agora o côncavo e o convexo;
Eu contemplo o que há de silêncio e maravilha
Suspenso da amplidão do céu onde palmilha
Esse crepúsculo de barro que anoitece,
Esse cavalo de São Jorge (rosa de aço),
Esse chapéu por onde canta o rouxinol,
Como um terçol queimando a pálpebra do sexo,
Eu tiro sarro da mulher parnasiana.
MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira
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