sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A ANGÚSTIA COM REALAÇÃO AO DESEJO: Amor e culpa

Hoje eu queria falar com vocês da angústia. O que sustenta a angústia é a preservação da imagem do outro (do Ideal do eu, superego), portanto esta afecção surge daquilo que a consciência evita, a saber, o recalque. Recalque é tudo que não pode ter acesso à consciência, mesmo as vivências de satisfação podem representar uma ameaça em função desse herdeiro do Complexo de Édipo que se chama o superego. Em suma, o DESEJO é um objeto perigoso, por isso o sujeito do desejo obsessivo compulsivo evita tocar a imagem do outro, mas não é a supressão de tal imagem que faz sentir a angústia; o sinal da angústia se produz no lugar do eu enquanto imagem do outro (Eu ideal). É nessa relação especular (narcisista) do eu-ideal onde a imagem se dissolve, que o afeto angústia dá o seu sinal a partir da imagem do eu enquanto imagem do outro e função do desconhecido.
O desejo tem uma verdade e essa verdade é a angústia, que é a verdade do desejo; o sujeito tem uma realidade insustentável para o plano da consciência, realidade esta que aponta para o irrepresentável. A angústia é o irrepresentável, uma resposta à DEMANDA do sujeito desejante que se confronta com o SIGNIFICANTE. O significante é o nexo de ligação entre o sujeito e seu desejo, mas o significante exclui o desejo do sujeito, ocupando o lugar do desejo, sendo o SIGNIFICANTE DO DESEJO. Em destinos da pulsão, Freud [E Lacan consente nisto.] promulga a DESBIOLOGIZAÇÃO DA PULSÃO, quando esse gigante que é o desejo, posto que primitivo, arcaico, infantil é elevado a dignidade da Coisa, do objeto socialmente aceitável; ele satisfaz o desejo como condição absoluta de desejo a partir da necessidade (demanda) confrontada com SIGINIFICANTE DO DESEJO, responsável pela elevação do instinto à dignidade de PULSÃO, e o estímulo-pulsional,_ a angústia, transformação direta da libido em neurose,_ não tem nenhum objeto específico que se lhe atribua uma causa natural, por isso o desejo não é natural, o desejo é perigoso, sempre um perigo e deve ser barrado no baile, digamos. O afeto angústia é o simples sinal de perigo [Os animais que vivem em bandos, os veados são avisados da presença do leão por um dos seus que fica na guarda do bando.] O neurótico-obsessivo em seu recalque, experiencia o medo do próprio desejo, pois o desejo representa um perigo e precisa ser DESTRUÍDO. Na obsessão há uma fixação em eliminar o objeto parcial do desejo, tal fixação está relacionada com o complexo de castração, fundamento da FALTA E DO VAZIO HUMANO. Todo amor que sentimos é uma falta, por isso temos uma demanda, uma busca por um objeto perdido. O seio materno é o objeto primordial do bebê, que quer ser o objeto de desejo da mãe, ou seja, quer estar no lugar do pai, daí o medo da castração. Culpa e amor: eis os elementos que entram na constituição do eu enquanto imagem do outro (relação mãe-filho), e ideal do eu (identificação com a figura paterna por parte do bebê do sexo masculino). As neuroses de transferências se fundamentam na castração (medo de perder o desejo), assim como o bebê tem medo de perder mãe. Numa transferência, o sujeito do inconsciente, em sua demanda de amor, idealiza o outro como sendo o objeto do seu desejo.


Depois a gente continua.


Nenhum comentário:

Seguidores

DOXA