sábado, 29 de novembro de 2008

LXXXIII- MADEIRAMES

Eu sofro a intervenção da noite na janela,

E em pago disto acordo para ouvir aquela

Estrela que desliza quando abro a janela,

E sinto um sensualismo quente em minhas peles...

__Eu nego no banquete a força das mulheres:

A dança do demônio da luxúria em que elas

Deslizam na descida do desejo delas,

Aquelas cujo rosto eu vejo nas colheres...

Eu vejo a minha mão no corpo das mulheres,

Eu sofro a intervenção do mítico Pausânias...

__Escuto-te, mulher de todas as mulheres!

Estrela da manhã de mim compadecida:

Amor e culpa vão pela infernal descida,

Gozando na subida do desejo reles.


MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros
Helder Alexandre Ferreira

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