sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A V I D A

Hoje nós vamos falar da vida. Muito se tem dito sobre ela, o juízo que se tem feito da vida é que ela não vale nada. Esse rechaço da vida, essa resistência contra a vida saiu da boca dos sábios. Sócrates dizia que viver é estar a muito tempo doente. Os sábios tinham sempre uma atitude pessimista em relação à vida, suas palavras eram cheias de dúvida e melancolia; Aristóteles dizia que a melancolia (tristeza) era uma doença do pensamento. Com Sócrates o gosto grego se altera em favor da dialética. Antes dele as maneiras dialéticas eram tidas como maneiras inconvenientes, comprometedoras. Os jovens eram desaconselhados a segui-las. Por isso se desconfiavam de todos aqueles que apresentavam suas razões desse modo. As coisas honestas como as pessoas honestas não tratam seus princípios com as mãos. Aliás, é IMORAL servir-se dos cinco dedos. O que precisa ser reforçado com as mãos para ser acreditado é porque não vale grande coisa.
O teatro nasceu na Grécia antiga, mais notadamente o teatro de tragédia. EMBRIAGUEZ: esta é a condição fisiológica preliminar e indispensável à ARTE. O teatro foi uma inspiração daqueles que queriam tornar o mundo melhor, quando por trás da MORAL SOCRÁTICA que se ocultavam todos os vícios e maus desejos, havia o interesse na domesticação do animal humano bem como a criação de uma espécie determinada de homens. O pessimismo era disseminado pela boca dos sábios não por um consensus sapientium, mas assim por uma relação de natureza fisiológica (melancolia); era a decadência, a desagregação dos instintos que abundava, crescia, e essa noção era muito perigosa. O juízo moral tem em comum com o juízo religioso acreditar naquilo que não existe como realidade de modo que a palavra VERDADE só serve para designar coisas que chamamos IMAGINAÇÃO. O julgamento, a apreciação da vida pró ou contra não pode, em última instância, jamais ser verdadeiro, o único valor que apresentam é o de SINTOMA (melancolia). Em si esses sintomas não passam de IMAGINAÇÃO, tolices.

Por sua origem a LINGUAGEM pertence à época das formas mais rudimentares da PSICOLOGIA: Penetramos num grosseiro FEITICHISMO quando tomamos CONSCIÊNCIA das condições primeiras da METAFÍSICA DA LINGUAGEM , ou seja, da razão.
Vemos então em toda parte AÇÕES e coisas criativas, cremos na VONTADE ENQUANTO CAUSA GERAL (na metafísica), cremos no eu, no eu enquanto ser, no eu enquanto SUBSTÂNCIA, e projetamos a crença, a SUBSTÂNCIA do eu sobre todas as coisas, com isso criamos os CONCEITOS DE COISA. No sistema de Schopenhauer a VONTADE é a raiz da METAFÍSICA DO MUNDO E DA CONDUTA HUMANA; ao mesmo tempo, é a fonte de todos os SOFRIMENTOS, TODAS AS DORES assim como o AMOR é a fonte de todos os sentimentos. Sua filosofia é, assim, profundamente PESSIMISTA, pois a VONTADE é concebida em seu sistema como algo sem nenhuma meta ou finalidade assim como em Freud (Destinos e Pulsões) as pulsões não têm nenhum objeto específico, não obstante sua fonte seja o INSTINTO, elas não estão a serviço da perpetuação da espécie, mas sim do princípio de prazer. Um querer irracional e inconsciente, um mal inerente à existência do homem, a VONTADE gera a DOR necessária e inevitável; aquilo que se conhece como felicidade seria apenas a interrupção do processo de infelicidade (O preenchimento do vazio de objeto pela realização alucinada do desejo no sistema de Freud), e somente a lembrança de um SOFRIMENTO PASSADO criaria a ILUSÃO de um bem presente. Em Freud, a revivência de uma experiência prazerosa pelo traço mnêmico faz com que o indivíduo experimente outra vez a SATISFAÇÃO, a isto a psicanálise chama DESEJO. A VONTADE (desejo) é, para o sujeito, o mundo além da REPRESENTAÇÃO, pura representação (intuição), portanto o mundo como representação (objeto do desejo) não é outra coisa senão a VONTADE. O mundo é a natureza, objeto total de toda experiência possível. A VONTADE É A COISA EM SI; E A IDÉIA (o representante desta representação que é a coisa em si) É A PRETENSÃO MEDIATA DESTA VONTADE. A VONTADE É A RAZÃO, faculdade de não escolher nada mais do que a LIBERDADE que é a reprodução da VONTADE. Essa vontade tem como fundamento objetivo de sua autodeterminação o FIM, de cujo efeito, a AÇÃO como fundamento de sua possibilidade denomina-se MEIO. Chamamos IMPULSO ao fundamento subjetivo do DESEJO, e de DESEJO ao apetite daquilo que é agradável.


Helder Alexandre Ferreira
Filósofo da mente
Referências bibliográficas: Nietzsche, Schopenhauer, Freud.

Nenhum comentário:

Seguidores

DOXA