domingo, 5 de outubro de 2008

L I L I A N A N Ã O P Ô D E I R Á P R A I A

O U O D I A D E U E M C H U V O S O





Rio sangrado! terminado de silêncio...

Teus bosques onde se lutou lutas inglórias,

Teu coração também é uma artéria aberta

Do Rio Jaguaribe que é uma artéria aberta.

__Era triste em mil novecentos e setenta!...

O céu era uma rosa cinzenta de chuva,

Triste era a nossa pátria em seu asfalto novo:

De um galho ao outro o relâmpago assusta os pássaros.

O silêncio era uma rosa cinzenta de chuva;

O silêncio era um rio de lágrimas... E o céu

Um balde despejado sem desprezo e lágrimas,

Com a rosa cinzenta de chuva chovendo!...

O raio abriu uma artéria no asfalto novo;

Tombam morangos de tristeza na calçada.











M A D E I R A M E S


LXXX


A mão que toca o ser do outro negligencio-o

Por ser somente o objeto do desejo dela!...

A mão acorda bruscamente e abre a janela:

A rosa cinzenta de chuva é um oceano...

A grande onda que derruba as portas do luto

Adormecido, faz tanto tempo, em sua concha,

Carrega quilos de linguagem em sua concha,

Com seus lobos de guerra ao nível de tragédia

E suas lombas de mulher (amor dos gregos?)

Acontecido há tanto tempo no Banquete...

__As tuas mãos são como um choque de oceano,

Cabe na palma de tua mão este oceano

Por ser somente o objeto do desejo teu;

No quarto escuro o meu amor derruba os copos.


Helder Alexandre Ferreira, Cem sonetos de Eros

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