domingo, 14 de setembro de 2008

SONHOS E ACTING OUT.

Os sonhos são lugares (continentes) aonde o sonhador se liberta de tensões elevadas. Esta pode ser a principal função de certos tipos de sonhos chamados SONHOS EVACUATÓRIOS. São sonhos usados para livrar o sonhador de afetos e fantasias inconscientes insuportáveis ou como válvula de segurança para descarga parcial de impulsos instintivos. Eles são observados principalmente em pacientes psicóticos e bordelines, mas também podem ser vistos nos estados REGRESSIVOS de pacientes neuróticos durante os fins de semana e em outros períodos de separação. Tais sonhos devem ser diferenciados dos sonhos ELABORATIVOS, que têm uma função definida de elaboração e colocam-se em relação inversa ao ACTING OUT: quanto maior a tentativa de sonhos elaborativos, menor a tendência ao acting out e vice-versa.
Em 1900, Freud mostrou que uma das funções do sonho é preservar o SONO. O psiquismo arcaico é reativado no indivíduo que sonha, o que resulta na transformação dos conteúdos psíquicos em imagens visuais, CONSDENSAÇÕES, DESLOCAMENTOS, SIMBOLISMOS e outros manejos peculiares do espaço e o tempo. A REGRESSÃO ONÍRICA torna manifestos os níveis arcaicos da psique e estabelece uma continuidade entre o PASSADO E O PRESENTE E O FUTURO, levando o presente de volta para o passado, e atualizando o passado no presente. É provável também que o mesmo processo regressivo que converte os restos diurnos em objetos possíveis de ser sonhados seja o mesmo que converte as experiências e os restos diurnos em lembranças seletivamente armazenadas no inconsciente


AÇÃO E TRANSFERÊNCIA


O estudo freudiano dos sonhos foi umas das fontes para a elaboração do conceito de transferência, e diversos analistas têm concebido o sonhar como um paradigma da situação analítica. Mas a relação entre SONHO E TRANSFERÊNCIA nos remete ainda a uma dimensão clínica bastante fascinante: aquela compreendida pelos SONHOS DE TRANSFERÊNCIA e pelos SONHOS DE CONTRATRANSFERÊNCIA. Os sonhos de transferência são aqueles trazidos pelo paciente durante seu processo de análise, em cujo material manifesto e latente aparece uma referência direta ou indireta à experiência da análise. São sonhos potencialmente ricos e significativos, visto que sinalizam um trabalho de elaboração em curso, proporcionam INSIGHT e fazem avançar o processo da análise. Não menos importantes são os sonhos de contratransferência que, sonhados desta vez pelo ANALISTA, fazem também referência à experiência da análise com seus pacientes. O estudo da ação na transferência nos remete diretamente ao conceito de ACTING OUT. Tal expressão, originada na psicanálise de língua inglesa, deriva diretamente do AGIR freudiano. Mas guarda uma especificidade e certas ressonâncias de sentido que merecem ser retomadas. TO ACT OUT é uma expressão verbal composta __ forma bastante corriqueira nesta língua __ que contém dois elementos principais. O out traduz um movimento de pôr para fora de si SENTIMENTOS E PENSAMENTOS, ou seja, refere-se a um expressar-se, enquanto o ac refere-se à maneira como se dá tal movimento expressivo: através da ação e de comportamento. Literalmente, ACTING OUT. significa uma AÇÃO, UM COMPORTAMENTO no lugar do pensamento, e isto nos remete a idéia de DRAMATIZAÇÃO, ou seja, de uma REPRESENTAÇÃO TEATRAL. Uma análise minuciosa desta noção nos faz ver que o acento não se encontra no registro econômico de uma DESCARGA PELA AÇÃO, e sim no caráter simbólico de uma EXPRESSÃO PELA AÇÃO.
A ação na transferência acontece de dois modos contrastantes: por um lado, temos uma DESCARGA EVACUATIVA PELA AÇÃO QUE, NO LIMITE, TORNA-SE AÇÃO SEM SENTIDO, E POR OUTRO, UMA ATIVIDADE EXPRESSIVA À MANEIRA DE UMA REPRESENTAÇÃO TEATRAL; ESTA ÚLTIMA É O QUE CARACTERIZA O FENÔMENO DA TRANSFERÊNCIA, CONCEBIDA SEGUNDO O PADADIGMA DO SONHO. A diferença entre esses dois modelos encontra-se precisamente na presença ou não do trabalho de simbolização.






H I S T E R I S M O S



A pastora
Visita o pavilhão dos psicóticos
E deixa um orgasmo em cada sonho
Uma luz em cada olhar
Uma crença em cada espírito
Uma verdade em cada coração


A pastora
Semeia a paz na tribo
Canta para os vivos da tribo
Separa o joio do trigo
Prepara discurso na missa
Rechaça toda injustiça
Mas aceita um cafezinho


A pastora
Toma um gole de cerveja
E põe a roupa de dormir
Vazia
Satisfeita
Esmorecida
A pastora afaga o vento
E derrama amor no vento
E derrama a tinta nas cores
E derrama o perfume das flores
E derrama as dores no mundo


A pastora
Anda com grilos na cabeça
E fala de forma afetada
Com incivilidade lasciva
A pastora apressa o passo
Para sair do espaço
E do abraço do poeta


__A pastora xinga o poeta na praia
E toma uma Coca Cola com requinte de vingança



PEQUENA TRAGÉDIA SUBJETIVA



Meu horror tem cabeça, tronco e membro,
Filtro de esquecimento e escuridão...
Meus poemas escritos na volúpia da noite
(Única massa intuitiva)
Com palavras de sangue e pensamento
Até que do sonho o colorido
Especial dê vida à minha morte.


Meus aís da musa antiga na cegueira
Causa de tudo sonham o meu Cristo
Para comigo mesmo libertar a vida sem beleza...


Sou poeta do berço ao cemitério
Com palavras de pranto e pensamento.
Mas a palavra é a grande prostituta
Para as efemérides do meu corpo,
Que sonha a fogo e ferro um deus selvagem
Até que o meu rebanho sensual
Se regozije na máquina de fazer felicidade,
Com palavras humanas de desejo.

VITRAL: Poesias

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