sábado, 13 de setembro de 2008

OS SONHOS

A visão pré-histórica dos sonhos sem dúvida ecoou na atitude adotada para com pelos povos da antiguidade clássica. (Eles aceitavam como evidente os sonhos estarem relacionados ao sobre-humano). Acreditavam que constituíam revelações de deuses e demônios. A finalidade dos sonhos era predizer o futuro. O sonho tinha uma conotação com o oráculo. A extraordinária variedade no conteúdo manifesto (fragmento do sonho lembrado ao acordar) sempre dificultou ter deles uma visão uniforme, por isso que a atividade dos filósofos isolados na antiguidade dependia, naturalmente, até certo ponto da atitude destes em relação à adivinhação em geral. Nas duas obras de Aristóteles que versam sobre os sonhos, eles já se tornaram objeto de estudo psicológico. Assim, somos informados de que os sonhos não são enviados pelos deuses e nem são de natureza divina, mas que são demoníacos, uma vez que a natureza é demoníaca, em outras palavras, os sonhos não decorrem de manifestações sobrenaturais, mas seguem as leis do espírito humano, embora este, é verdade, tenha afinidade com o divino. Os sonhos se definem como sendo a atividade mental de quem dorme, na medida em que esteja adormecido. Segundo Aristóteles, têm como característica a de dar uma construção ampliada aos pequenos estímulos que surgem durante o sono. “A pessoa pensa que está em meio a uma guerra, quando o que há é apenas uma trovoada.” Antes dos gregos, os sonhos eram considerados como algo introduzido por deuses ou demônios; com Aristóteles, o sonho passou a ser considerado um mero produto da mente adormecida. Mas os sonhos não são destituídos de sentido e nem absurdos, não são um subproduto da mente. Não se deve igualar o sonhar à execução de um piano por mãos que não sabem tocá-lo. O sonhar não é idiotia, pelo contrário o sonho constitui um fenômeno psíquico de inteira validade __ os sonhos são realizações de desejos, podem ser inseridos na cadeia dos atos mentais inteligíveis da vigília, e produzidos por uma atividade mental altamente complexa de acordo com a representação de certas leis, a saber, a CONDENSAÇÃO, O DESLOCAMENTO, A ASSOCIAÇÃO E A REPRODUÇÃO. Há os sonhos sem disfarce, que nada devem temer à CENSURA, por exemplo, os sonhos de conveniência, aliás todo sonho, de princípio, é de conveniência, uma vez que o desejo de quem estar fatigado é DORMIR.

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