T E S T A M E N T O
Tudo o que eu faço o faço só nos sonhos,
Os ganhos ficam para os mercadistas.
Eu tenho o livre-arbítrio dos artistas,
Cujas canções destinam minhas dores
Para além do desejo dos credores,
Terríveis editores de farmaco
De quando eu for a pique pro buraco
E não mais precisar de seus favores.
Minha sombra é a sombra de Hamleto.
Esta faca vermelha, no soneto,
Apunhala as estrelas de Bilac...
Comprem flores dos meus minguados fundos,
O troco fica para os vagabundos
Assistirem à Rita Cadilac.
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