sexta-feira, 22 de agosto de 2008

P O E S I A S U A S F A C E S

P O E S I A



(Concepções fundamentais)


1º) Estímulo emotivo: Foi exposta pela primeira vez por Platão. È a parte da alma que, em nossas desgraças particulares, nos esforçamos por refrear e que tem sede de lágrimas e quereria suspirar e lamentar-se à vontade, sendo esta a sua natureza, é justamente aquela para a qual os poetas propiciam satisfação e prazer... Quanto ao amor, à cólera e a todos os movimentos dolorosos ou agradáveis de todas as nossas ações, pode-se dizer que os mesmos efeitos sejam produzidos pela imitação poética: visto que embora fosse preciso secá-los, ela os rega e nutre, e deste modo, transforma em senhoras nossas, aquelas faculdades que, no entanto, deveriam obedecer para que nos tornássemos mais felizes e melhores. (Rep., X, 606 a-d). Platão observa a este propósito que o lado emotivo da arte não é menor pelo fato de que nela possa tratar-se de emoções de outrem que se tornam nossas. Não há dúvida, portanto, de que a característica fundamental da Poesia imitativa (como a razão de sua condenação) seja para Platão a participação emotiva sobre a qual está fundada e o reforço das emoções que ela consegue com tais participações. Platão atribui à Poesia um caráter de condenação. A Poesia é uma prisioneira da alma, um impulso arcaico, primitivo, e em seu nectário, todos os poetas de embriagam de prazer.

Giambatista Vico estendeu ao universo inteiro o que Platão condenara ao cárcere da alma: O sublime trabalho da Poesia é o de dar sentido e paixão as coisas sem sentido, e é próprio das crianças o de tomar entre as mãos coisas inanimadas e,brincando, conversar com elas como se fossem pessoas vivas. Esta dignidade filológica-filosófica admite que os homens do mundo criança, foram, por natureza, sublimes poetas.


2ª) A Poesia como verdade. Tem seu princípio em Aristóteles, que considerou a Poesia como tendência à imitação, que ele julgou inata em todos os homens, desde que nascem como manifestação da tendência ao conhecimento. A imitação poética tem segundo Aristóteles, uma validade de conhecimento superior à imitação historiográfica, porque a Poesia não representa as coisas acontecidas realmente mas as coisas possíveis conforme a verossimilhança e a necessidade, por isso ela é mais filosófica e mais elevada do que a história, já que exprime o universal, enquanto a história exprime o particular.

Esta concepção de Aristóteles dominou a tradição filosófica, na qual podemos distinguir duas interpretações fundamentais da Poesia, (1) podemos perceber na Poesia uma verdade diversa por grau ou por natureza daquela intelectual ou filosófica, (2) podemos perceber na Poesia a verdade filosófica absoluta. Na primeira a Poesia é o objeto estético, a beleza, é a perfeição do conhecimento sensível como tal e por isso não coincide com o objeto do intelecto; já na outra concepção, mesmo sendo estritamente ligada à primeira, vê a Poesia não como aproximação da verdade absoluta mas a própria verdade absoluta. A faculdade poética seria a intuição originária elevada a sua primeira potência, e vice-versa, a única intuição produtiva que venha a repetir-se na mais elevada potência é o que nós chamamos de faculdade poética, e tal faculdade realiza em ato a unidade da atividade cônscia e da atividade inconsciente, que vai constituir a natureza do Eu absoluto.

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