ODISSÉIA DO DESEJO
Troveja água no rio; o rio medra
Como sapos nos charcos, os cabelos,
Pulando no salão dos pesadelos,
No corpo embalsamado, feito pedra.
Debaixo da pestana, um sonho azado:
Ao pé do rio morto de desejo,
O sombrio Iago malfazejo
Realiza o desejo celerado...
Dentro do peito o fel, rio inconteste!
Provede o coração de toda peste
Nos ossos descarnados da caveira...
Como sapos bufando no pelejo,
Se cumpriu a odisséia do desejo
Na caverna da bruxa feiticeira!
Helder Alexandre Ferreira
AGALMATA: Poesias
agalmatahelderalex@yahoo.com.br
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