segunda-feira, 25 de agosto de 2008

SONETO LXXVIII

Direi de tua espinha dorsal Alexandrina,
Que abre a janela do sintoma e afina a voz,
Direi não é de tua conta ouvir minha voz,
Por isso ouve tua voz antes de ouvir a minha.
Meu corpo era uma lagoa calma tão serena...
Hoje é mar fremente. Prudente te acautela!...
Amor não são ficadas e baladas, que,
Na lubrificação do sonho abre a janela,
Depois nos toca, e mata, e queima, e dá prazer...
Depois queimado o amor, o gozo desencana,
Estremecido na cama, tão triste que é...
Esse amor-envelope da Internet, frio,
Esse depois vazio que a fumaça aponta
É a estrela da manhã, a estrela de mil pontas.


MADEIRAMES: Cem Sonetos de Amor
Helder Alexandre Ferreira
Soneto LXXVIII

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