M A D E I R A M E S
LXXX
De noite esta senhora magra abre a janela,
No silêncio infinito que esta noite chora.
Há um silêncio dentro da loucura, que,
Precisa ouvir estrelas para acontecer.
Há uma senhora magra, junto da janela,
Que sempre abre a janela no desejo insatisfeito
Dos poetas curvados, cortesãos inúteis,
Que muitas vezes falam dos amores fúteis,
Oh silêncio infeliz de quem perdeu a prosa,
Volvendo outro silêncio que do corpo goza!
Precisa do parnaso lírico que o faça
Junto ao poste engolir os mosquitos da praça;
A estrela da manhã suicidou-se agora:
_Silêncio ao infinito, que esta noite chora.
Helder Alexandre Ferreira
MADEIRAMES: Cem Sonetos de Eros
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