segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O FILÓSOFO É UM ANIMAL DEPRAVADO

Há duas espécies de desigualdades: A desigualdade natural ou física e a desigualdade moral e política.

(O homem físico)


O homem nasce livre, depois se vê a ferros.

Rousseau


O homem nasce dotado de uma organização fisiológica perfeita, necessidades fisiológicas facilmente satisfeitas. Tem em comum com os animais inferiores todos os instintos. É de ânimo robusto que se reforça pela seleção natural e elimina os fracos. Ignora instrumentos, seu corpo é seu único instrumento. É audacioso e não tímido, porque tem consciência de sua força. É temido pelos animais inferiores. Em sua natureza original, o homem é livre, sua liberdade não é limitada pelas convenções sociais. Esse homem, praticamente, não adoece, as crianças são protegidas por suas mães, nem os filhotes dos outros animais são tão bem protegidos assim e o homem, quando velho, por ter menos força, sofre menos necessidades. Doenças são raras. Em verdade, as doenças são conseqüências malignas da civilização. “O homem nasceu livre e em todo lugar encontra-se a ferros”.A natureza (Deus) nos fez livres, saudáveis, o que é remédio melhor do que os remédios dos melhores médicos. O homem deprimido é um animal depravado, uma vez que os animais ao serem domesticados degeneram, por isso o poeta é um animal depravado, pois não é natural e o que não é natural só pode ser depravado.


O ASPECTO BIOLÓGICO DA MENTE


As idéias (representações) provêm do órgão dos sentidos e por meio dele percebemos e sentimos os objetos que nos são dados pela INTUIÇÃO, esta é o modo de como o conhecimento (percepção) se aproxima do objeto (representação). Representação é tudo o que é objeto para o sujeito, ele, o objeto não é a coisa em si, o objeto, segundo a Teoria do Belo e do Sublime, dentro da Estética Transcendental de Emanuel Kant, é o fenômeno da INTUIÇÃO, segundo, Kant, as coisas são, mas não são, as coisas são uma deformação da nossa subjetividade, nos limites de tempo e espaço que são duas propriedades da nossa intuição sensível, tudo o que conhecemos, só o conhecemos no tempo e o espaço.

A LIBERDADE

O que distingue o homem do animal é a liberdade; por ela, o homem quer e não quer; deseja e teme; agora o homem tem duas liberdades: a liberdade natural de Deus e a liberdade cívica, sendo que esta é limitada pelo pacto social ou contrato social ou a lei. Mas o que é lei? É o que determina a justiça. Mas o que a justiça determina? A Justiça segundo, Aristóteles, é a maior de todas as virtudes éticas, e, na esfera da política, justiça e política são conceitos cognatos, tanto a justiça e a política forcejam no sentido da felicidade e da paz entre os homens que constituem a Polis, a república, o corpo político formado pelos cidadãos, que, em nome da Lei (vontade geral) constituem o soberano que não é outra coisa que o povo exercendo o poder legislativo. Soberano é o povo, dono do poder e de uma vontade própria; O que é a vontade? Segundo Kant, a vontade (razão) é a produção de um objeto capaz de ser reproduzido pela liberdade, então, a liberdade só é verdadeira quando direcionada pelo princípio de razão. Kant transferiu da emoção para a razão móvel da conduta. Passando do conservadorismo de Rousseau para o criticismo kantiano, ou seja, da natureza original para a natureza social, chegamos ao homem moral. Se o princípio da moral natural é o instinto de autoconservação acompanhado da piedade, o princípio de razão é o dever. Mas o que é o dever? É o cumprimento de uma ação de acordo com a representação de certas leis. O homem racional faz as coisas por dever, não porque seja bom, o homem natural (não corrompido pela convenção) age mais por piedade, pois é no estado bruto de natureza que nos identificamos com os infelizes. No estado social é a reflexão que comanda as nossas ações, daí surge a questão da ética e da moral, sendo a moral a ética praticada na ação. O bom samaritano é um homem piedoso que se identifica naturalmente com o próximo, caído à beira do caminho.
A razão se mostra insuficiente para estabelecer a sociedade. A sociedade precisa de uma intervenção sobrenatural: a Igreja que favorece a vida em sociedade, através de seu PACTO SOCIAL que é o pacto da Comunhão entre os homens, pelo pacto da comunhão os homens são irmãos; já no CONTRATO SOCIAL, sob a Lei (vontade geral), os homens são cidadãos de direitos e de deveres.



Helder Alexandre Ferreira
31/07/2007

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