Não chore por mim, Giselda Medeiros.
Entre este e aquele outro
E os outros do oriente eterno
Deus tem um coração deste tamanho!...
Não chore por mim, Giselda Medeiros,
Mesmo que eu pareça um sete,
Pierrot sem pierrete,
Mesmo entre umas e outras.
A mulher que chora fica dissimulada,
Dentuça,
Desumaniza.
A mulher que chora é a mulher do sapo,
Tem o coração deste tamanho,
Uma jamanta...
(Cuida-se que os sapos eram príncipes).
Esses protonotários têm um coração deste tamanho!
Sei que você não vai me perguntar o que é protonotário,
E mesmo que me perguntasse eu não diria.
O homem que ama fica dissimulado,
Dentuço,
Desumaniza.
A estrela da manhã me compreende
Não chore por mim, Giselda Medeiros.
Ah, esses protonotários mal em si cabem!
Têm o intestino deste tamanho... Têm! __ Não têm!
Os sapos comem demais,
Inclusive os do oriente eterno.
Não chore por mim, Giselda Medeiros.
__Não diga que eu pareço um passarinho morto.
Helder Alexandre Ferreira
Pulsões, sonetos e outras poesias
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