Explicando a citação, o que o Renan Calheiros quis dizer é que na política todo mundo rouba, mas se desdobrarmos a citação veremos que política, na boca do Calheiros, significa Congresso Nacional, estrutura dotada de vida própria, portanto a Política aí fica sendo "casa de todo mundo”, onde todo mundo rouba. Decerto que tal casa não é a casa dos sonhos de Aristóteles. Política, Estado, Justiça são conceitos cognatos dentro da visão aristotélica da coisa. O Estado dos homens que vivem sob leis comuns (a sociedade) é o Estado da reta justiça, coexistência perfeita, capaz de criar e conservar a perfeita felicidade da comunidade política.
Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta Constituição. Por isso que a soberania (o poder do povo) é indivisível e inalienável, pois a vontade geral, pertencente ao povo, é que norteia o estado para o bem-estar social. O estado democrático traduz o que há de comum em todas as vontades individuais, posto que seja do sufrágio secreto, individual que se ordena o CORPO POLÍTICO (representantes do povo), mas esses representantes constituem a vontade geral e tal vontade ganha poder absoluto, poder soberano que emana do povo. Esse é o fundamento da nossa Carta Magna. A relação do povo com a forma de governo em sua composição e atividade é a relação do indivíduo com a sociedade. Quando o governo tenta tomar o lugar do soberano (E o soberano é o povo), ele se degenera, ficando o governo esclerótico e o estado dissolvido, causando um depauperamento no CORPO POLÍTICO, e o remédio paliativo para essa moléstia é a demagogia. A demagogia é uma psicopatologia que acomete a sociedade como um organismo vivo. Esse clima passional de governo usurpador favorece a aparição dos simulacros da deputação.
A Filosofia moral (razão prática) determina a lei da natureza como objeto da experiência da vontade do homem. Moral é o que há de bom no coração do homem (a virtude), e tem na vontade o seu fundamento determinante, desde que a vontade é a faculdade que alguém possui de determinar-se a si mesmo, agindo de acordo com a representação de certas leis. A universalidade da lei pela qual sucedem efeitos constitui o que se chama natureza no sentido mais amplo. Existe uma lei necessária para todos os seres racionais julgarem sempre as suas ações, segundo máximas tais que possam os mesmos querer que (elas) devam servir de leis universais. São as ações a priori, arraigadas à vontade, a isso chamamos METAFÍSICA DOS COSTUMES. A razão é a produtora de uma boa vontade, mas uma vontade só é boa se estiver de acordo com a lei. A vontade, portanto, é um dever (uma ação fundamentada na moral), e esta é o fundamento determinante daquela.
O interesse próprio é uma paixão produtiva: Cada qual pensa em si, pensando nos demais, e pensa nos demais, pensando em si, nisto se constitui o egoísmo natural ou interesse próprio como sendo o senso de justiça do homem socializado.
Justiça é aquilo que o direito determina, e o direito determina o que é justo, o que pode criar e conservar em tudo ou em parte a felicidade da comunidade política.
A lei existe quando todo o povo decreta algo para todo o povo, considerando a si mesmo, estabelecendo uma relação entre todo o objeto sob certo ponto de vista (o dos membros do soberano e o dos súditos que o obedecem), isto sem qualquer divisão do todo. Então a mat éria sobre à qual se decreta é GERAL como a vontade que a decreta. A esse ato dá-se o nome de LEI. A lei liberta. É-se livre quando submetido às leis, porém não quando se obedece a um homem, pois nesse caso se obedece à vontade de outrem, enquanto obedecendo à lei não obedece senão à vontade pública que tanto é minha como de quem quer que seja.
Fraco e preguiçoso é o governo ditador, que dispõe do instrumento da tortura. Não existe nenhum mal que não seja bom para alguma coisa. Com o enfraquecimento do estado, ficam asseguradas a CORRUPÇÃO e a IMPUNIDADE. As graças concedidas aos congressistas que feriram o decoro parlamentar, o tráfico de vantagens no jogo político anunciam que em breve não terão mais necessidade de dar satisfações de seus mandatos, e o poder político, o Planalto Central se transformará no Templo do crime e da impunidade
O filósofo não é nenhum modelo de secretário do amante exemplar, encarregado da adulação, da obediência e alcoviteiro da tirania, da oligarquia e da demagogia; o compromisso do filósofo é com a verdade. O filósofo age através do silêncio, da astúcia, da consciência e da crítica. É um dever amaríssimo o do filósofo, dever de espírito o de resistir às sereias do poder e buscar a verdade.
Toda pessoa tem o dever de ser filósofo para ser pessoa, mas nenhum filósofo deve filosofar por dinheiro. Morrer fazendo filosofia é bonito. A filosofia é bonita demais para confiar-se a mercenários. A filosofia é o diálogo entre a possibilidade da ação e a vontade (o meio e o fim), ou o princípio, o início, o fim e o meio, nas palavras de Raul Seixas.
A exploração do fato da doméstica espancada no Jornal Nacional (Milhares de mulheres são espancadas todos os dias) funciona como euroleptanalgésico, e um povo hipnotizado, bestificado é um povo cujo nível de energia mental (catexia) caiu de forma significativa. Então esse povo transfere o seu poder (que seria inalienável), para um senhor (o que a mídia decide), e esse povo deixa de ser cidadão (soberano), não reage à corrupção dos maus governos e seus asseclas, em tal caso, pelo silêncio universal deve-se presumir o CONSENTIMENTO DO POVO. O povo oficializa a malversação do dinheiro público, através da submissão, e assim o povo põe fim ao Estado Democrático de Direito.
A República é o estado regido por leis, e as leis são feitas pelos legisladores, mas os legisladores são representantes da vontade do soberano (o povo). A vontade do povo é inalienável; agora, o povo pode transmitir o seu poder através do sufrágio universal do voto, e a vontade de cada um é alienada, predominando a VONTADE GERAL, e tal vontade é o Contrato Social.
Helder Alexandre Ferreira
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