sexta-feira, 22 de agosto de 2008

MADEIRAMES XLIV

M A D E I R A M E S


XLIV

A carne armou a rede e sonha e fantasia...
O desejo atravessou as paredes do quarto.
Ouves a música das águas subterrâneas
A socorrer os náufragos gritos da morte.
A carne é uma avenida urbana e perigosa,
Inculta e bela até a última baixeza.
A carne é meteretriz de pantomima trágica,
Ouvindo a voz cansada e rouca e louca e tonta
E quase morta de silêncio e solidão...
Suas lágrimas são rios subterrâneos que correm
E socorrem os náufragos gritos da morte.
O poeta atravessa as paredes da carne,
Em que ele arma a sua rede e sonha e fantasia
O corredor que leva ao ventre das palavras.

Helder Alexandre Ferreira
MADEIRAMES: Cem Sonetos de Amor
Terça-feira em Prosa e Verso (11/09/2007)

Nenhum comentário:

Seguidores

DOXA