M A D E I R A M E S
XLIV
A carne armou a rede e sonha e fantasia...
O desejo atravessou as paredes do quarto.
Ouves a música das águas subterrâneas
A socorrer os náufragos gritos da morte.
A carne é uma avenida urbana e perigosa,
Inculta e bela até a última baixeza.
A carne é meteretriz de pantomima trágica,
Ouvindo a voz cansada e rouca e louca e tonta
E quase morta de silêncio e solidão...
Suas lágrimas são rios subterrâneos que correm
E socorrem os náufragos gritos da morte.
O poeta atravessa as paredes da carne,
Em que ele arma a sua rede e sonha e fantasia
O corredor que leva ao ventre das palavras.
Helder Alexandre Ferreira
MADEIRAMES: Cem Sonetos de Amor
Terça-feira em Prosa e Verso (11/09/2007)
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