sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Flor e Meretriz


A solidão é minha convidada
De pedra, inculta e bela, imorredoura;
Vem para exorcizar minha lavoura,
O rouxinol, cantor da madrugada.


A solidão saliva o fel da ceia
Totêmica em memória da Paixão.
Debaixo do vazio o coração,
Cumprindo a solidão, então vagueia...


A morte entra de cúmplice, redime,
Mas condensa e desloca nosso crime
E deforma as feições dessa madona.


Intui o singular juízo breve
No castelo maldito que nos deve
A flor inculta e bela, marafona.




Helder Alexandre Ferreira
Terça-Feira em Prosa e Verso 10/08/2004.
E-mail:
alexandre569@bol.com.br

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