sexta-feira, 22 de agosto de 2008

FOG EMBRIONÁRIO

A U T O F A G I A


(A insistência da letra)


A célula fundadora de Autofagia, acentuada na insistência da letra pela justaposição de dois termos (foi e deprimente) em seus deslizes de sentido, é a célula familiar que inaugura a simbolização de uma lei: A lei de segregação familiar por onde a célula (letra) se multiplica e se desloca, fazendo suportar as imagens corporais da infância as quais cativam e identificam o sujeito de Autofagia ao herói sofredor, e tal herói (Pinóquio) tem uma decisão de vontade vivenciada e que se exterioriza na insistência do canto. “Mas, eis que lamentava meu canto/ Pois da lágrima do palhaço eu ria/ E mais tarde palhaço também seria”.Canto apto a localizar, na insistência da letra, um impulso primário, sem conteúdo nem direção, uma ausência deprimente que vai alimentando (autofagia) ou engravidando todas as estrofes do poema. Em Autofagia, Germana executa a língua através da fala: “Faço questão da espontaneidade, de um arrotar de idéias constatadoras de meus passos, fiéis à minha idiossincrasia, espelho até de minha imaturidade”.Autofagia é fala no sentido saussuriano no qual a língua pela fala chega ao campo da linguagem que toma forma de corpo, e é nisto, que, segundo Jacques Lacan, se apóiam as somatizações histéricas. Sendo a histeria a relação simbólica do corpo com a mente, o poema é a relação da linguagem com o desejo, abarcando o corpo-linguagem de desejo onde os impulsos, excitações instintivas e representações de fim entram como motivo de subversão: “Foi deprimente me ver uma jovem/ Fui descrente, tive muita coragem/ Para assumir a vida com subversão/ Pois era hora de revolucionária invenção/ Algo para perpetuar-se na memória/ Iniciar, continuar ou findar a história...” e descargas motoras que se exteriorizam na insistência da letra (inconsciente), constituída de impressão pela repetição do sintagma foi deprimente, e expressão que faz procurar no fim do infinito indefinidamente. A última estrofe do poema acentua o avesso da linguagem (É apaixonante ter-me visto deprimida) porquanto Autofagia é Germana que se fez verbo.



Helder Alexandre Ferreira
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