M A D E I R A M E S
XLVIII
Até um padre que te ama embaixo do soneto,
Bezerro de Ouro que anda nu e faz careta,
Escada abaixo rola a estrela da manhã...
Pede! Ele há de passar por todos os buracos!
Sem possuir a lua, há de te dar a lua,
Os lampejos, no céu, são os chistes de Deus.
Em ânsias de desejo e de volúpia ardente,
Escada abaixo rola um funcionário público;
Essas éguas azuis dão lampejos na noite...
Pura! Ainda és um bezerro embaixo da mãe!...
Pede, que eu passarei por todos os buracos.
Sem possuir a lua, eu te darei a lua...
Eu te darei seiscentos e sessenta e seis
Bezerros de Ouro para o altar do sacrifício.
Madeirames: Cem Sonetos de Amor
Helder Alexandre Ferreira Terça-Feira em Prosa e Verso
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