Há duas espécies de desigualdades: A desigualdade natural ou física e a moral e política.
O homem físico
(Estado de natureza)
Suas qualidades, organização fisiológica perfeita; necessidades fisiológicas facilmente satisfeitas. O homem físico tem em comum com os animais inferiores todos os instintos. É de ânimo robusto que se reforça pela seleção natural e elimina os fracos. Esse homem ignora instrumentos, seu corpo é seu único instrumento. É audacioso e não tímido, porque tem consciência de sua força. É temido pelos animais.
Enfermidades naturais
A criança é mais bem protegida por suas mães do que os filhos de outros animais. O homem velho, por ter menos força, sofre menos necessidades. Doenças são raras. Na verdade, são conseqüências malignas da civilização. “O homem nasceu livre e em todo lugar encontra-se a ferros”. A natureza (Deus) nos fez livres e saudáveis, o que é remédio melhor do que os remédios dos melhores médicos. O homem deprimido é um animal depravado, uma vez que os animais domesticados degeneram, então o filósofo é um animal depravado, pois não é natural e o que não é natural só pode ser corrompido.
O homem psicológico
As idéias (Representações) provêm do órgão dos sentidos, e por meio dele percebemos e sentimos os OBJETOS que nos são dados pela intuição, que é o modo de como o conhecimento (percepção) se aproxima do objeto, constituindo o fenômeno (objeto) que se distingue da coisa em si.
O que distingue o homem do animal é a liberdade; por ela o homem quer e não quer; deseja e não deseja. A liberdade, no homem, é a reprodução de sua vontade, faculdade que possui para determinar-se a si mesmo de acordo com a representação de certas leis, ou seja, a liberdade só produz uma boa vontade a partir da razão.
A psicologia, até o ano de 1920, tinha como foco a SENSAÇÃO (que é a impressão de um objeto na medida em que somos afetados por ele). Com o sistema de Kant (O imperativo categórico) sendo o dever o cumprimento de uma ação com respeito à lei, transferiu-se da emoção para a razão o móvel da conduta, e a partir do criticismo e do freudismo a psicologia deslocou-se radicalmente, o COMPORTAMENTO tornou-se a matéria dominante (Behaviorismo). O homem que se comporta (Instintivismo), ou seja, a ciência da psique, no enfoque aristotélico, foi transformada na ciência da manipulação técnica do animal e da conduta humana.
A agressividadade
Temos de distinguir no homem duas espécies inteiramente diferentes de AGRESSÃO. A primeira compartilha com todos os animais, é um impulso filogeneticamente programado para atacar ou fugir, quando interesses vitais acham-se ameaçados. Essa agressão é benigna, porque está a serviço da sobrevivência do indivíduo e da espécie (Instintos do Ego e instintos da libido ou pulsões de autoconservação e de preservação da espécie) que vão constituir o IMPULSO TOTAL DE VIDA. Mas há outro tipo de agressão que é maligna. A crueldade e a destrutividade não existe nos outros animais, é específico da espécie humana, tal agressividade não é filogeneticamente programada (herança genética) nem biologicamente adaptativa (não tem finalidade); sua satisfação é voluptuosa, lúbrica. A agressão instintiva é natural, mas, porém, toda forma de agressão, inclusive a paixão de matar e torturar são a transformação de uma agressão biologicamente dada (instinto inato) numa força destrutiva a conta de certo número de fatores, como por exemplo, as psicopatologias (fator genético e ambiente ou monismo e empirismo). A essência de um instinto, por exemplo, (pugnacidade) é uma propensão ___ desejo ardente ___ e essa essência afetivo-congênita de cada instinto parece capaz de funcionar numa relativa independência (Disperso pulsional) tanto da parte cognitiva (compreensiva) quanto da parte motora da disposição instintiva total, em outras palavras, o indivíduo não tem consciência da verdade do desejo ardente. Senão vejamos: O desejo compulsivo-obsessivo de higiene e limpeza é uma transformação de afeto (defesa) contra as lembranças vividas ou fantasiadas de experiências pertinentes a coisa suja e ao sexo, porque, anatomicamente, está perto da defecação e micção; o sexo, no inconsciente, dentro do tabu social e da moral dos bons costumes, causa nojo, então todo prazer será castigado pela sociedade, e a pessoa, em conflito, pode desenvolver uma formação de reação às necessidades instintivas; uma reação muito conhecida é a da pessoa que tem compulsão por limpeza ou se converte num pregador radical. Essa transformação é um acordo entre o Ego e o Id e o resultado desse acordo é uma síndrome neurótica (Ansiedade, obsessão e compulsão, sendo que o elemento da ansiedade é o medo, a fobia; o da obsessão, a idéia - fixa e o da compulsão a mania).
O modelo hidráulico de Freud e Lorenz para explicar a agressão.
A libido aumenta ___ A tensão (nervosismo) cresce __ O desprazer se amplia. Esse modelo é semelhante à pressão hidráulica nos encanamentos. Mas o Aparato Psíquico não trabalha no sentido de eliminar o desprazer (o desprazer é a necessidade e o pensamento nasce da necessidade). O mal-estar só termina quando a vida termina. Quando uma representação inconsciente busca a satisfação de um desejo a partir dos supostos efeitos do inconsciente (os sonhos, as histerias e os atos-falhos), o desejo nunca é satisfeito a contento (nem mesmo na cópula); a ética e estética em psicanálise diz que o desejo humano só se realiza na dimensão do Belo, através de um desejo alucinado ou da sublimação dos desejos onde o desejo se transforma num objeto socialmente aceitável, por isso Dostoievski disse bem: “A beleza é que salva o mundo.”.
As paixões existenciais
A ideologia neoliberal é que tudo se resolve pela providencial mão do Mercado, segundo a boa nova da Economia de mercado do Estado capitalista liberal globalizado, e esse novo modelo de política econômica, essa tal modernidade da social democracia brasileira é o último grau da desigualdade, e o ponto extremo, no qual a economia foge à qualquer dimensão humana, onde todos os cidadãos se tornam iguais, porque nada são; os excluídos terão apenas uma necessidade: a de saciar a fome; e os donos do poder e do dinheiro, uma regra, ou seja, as paixões desregradas. Os princípios da razão prática (O imperativo ético), as noções de bem e a justiça regredirão aos tempos dos dinossauros, o homem voltará à natureza, só que, dentro de um novo estado de natureza diferente do homem natural em sua pureza. O neoliberalismo, com sua messianização do mercado, aponta a “nova natureza” do homem que se apóia no tripé do capitalismo avançado: A economia global que focaliza o mercado irrestrito e a cultura de consumo, essa cultura tem um espírito, o espírito do capitalismo (o consumismo) que torna o homem insensível ao clamor dos pobres, faz com que o homem ache natural milhões de pessoas no mundo morrerem de fome, o homem se torna fatalista, quando deveria ser determinista, senhor do seu próprio destino. A modernidade, maquiada pelos economistas de corte neoliberal, como Delfim Neto, Ciro Gomes e outros é uma falácia, um eufemismo que mascara a arcaica, cruel, corrupta e criminosa concentração de renda e o latifúndio como propriedade privada é um sacrilégio, a verdadeira imagem da usurpação e de Satanás. O homem civil quer possuir um lugar ao sol, uma propriedade, aí está inaugurada a sociedade, e as leis são feitas para garantir o direito de propriedade, assim como o golpe militar de 1964 foi, em verdade, um golpe empresarial para garantir o direito de propriedade. Nem a lei nem a propriedade fazem parte da natureza humana, tudo isso incide nos hábitos e costumes adquiridos a partir da sociedade.
A sociedade começou quando um homem chegou a um determinado lugar e disse: “Tudo isto aqui me pertence”, e à sua volta havia pessoas simples e humildes que acreditaram, daí nasceu a propriedade privada e com ela a lei civil, mas tal lei só se tornou legítima porque as pessoas aceitaram-na voluntariamente, tornando-se servas do proprietário (senhor) usurpando a liberdade do homem que havia nascido livre, mas agora encontra-se a ferros.
Com o Behaviorismo, a partir da década de 1920, o foco da psicologia deslocou-se radicalmente da sensação para o comportamento, com as emoções e as paixões, daí por diante, removidas dos vários campos de visão dos psicólogos como dados irrelevantes, pelo menos de um ponto de vista científico. A corrente psicológica behaviorística tem o comportamento como matéria dominante. O homem que se comporta (instintivismo), a ciência da psique de Aristóteles ficou transformada na ciência da manipulação técnica do animal e da conduta humana. O Behaviorismo (condicionamento) em oposição ao Instintivismo (natureza), que, apesar das controvérsias entre seus fundadores, __ os cientistas do comportamento Lorenz (instintivismo), a programação filogenética do indivíduo, e Skinner (behaviorismo) como sendo o ambiente responsável pela formação do caráter, __ são, na psicologia acadêmica, os fatores essenciais para o desenvolvimento do indivíduo. Toda a teoria behaviorista (ambientalista) é caracterizada pelo espírito de revolução política da classe média, surgida no século dezoito, contra os privilégios feudais. O feudalismo havia-se baseado no pressuposto de que a sua ordem era uma ordem natural; na batalha contra essa ordem natural, que a classe média desejava pôr abaixo, ficava-se inclinado a sustentar a teoria de que o status de determinada pessoa não era, de modo algum, dependente de quaisquer fatores naturais ou inatos, mas depende das configurações sociais, cujo progresso caía sob a responsabilidade da revolução. O enfocamento do behaviorismo incide na revolução do homem presente, o homem que se comporta, a ação separada do sujeito, os behavioristas não dão ênfase às motivações, mas sim ao comportamento manifesto, aquilo que as pessoas fazem independentemente de causas inconscientes. O behaviorismo não é confiável, uma vez que o caráter individual de uma pessoa depende do caráter da estrutura social; nenhum vício ou estupidez podia explicar-se como sendo devidos à natureza humana como tal, mas sim às más e viciosas estruturações da sociedade, por conseguinte, não havia obstáculo algum quanto ao futuro do homem. O behaviorismo acredita na revolução da classe média do século dezenove, enquanto que o instintivismo, baseado na seleção natural das espécies, reflete a básica afirmação do capitalismo do século vinte: O capitalismo como sistema, em que a harmonia é criada pela desenfreada competição entre todos os indivíduos, e isto se chamaria a ordem natural (a lei do mais esperto a exemplo da corrida dos espermatozóides). Mas o homem não é um espermatozóide crescido, produto da competição implacável desde a emergência da vida como o querem os neoliberais da política econômica, que sustentam em favor do livre mercado em cujo âmbito vence que tem mais espírito competitivo e ambição__ principalmente ambição. __ Quem não for ambicioso neste sistema econômico progressivo será eliminado. Dentro dessa ideologia da lei do mais forte ($), a ética flutua ao sabor dos conceitos filosóficos e dos ideais da revolução francesa (a expansão do capitalismo) em oposição ao feudalismo, que era um capitalismo feroz, também; havia a competição entre capitalistas (a Igreja mais o governo competiam com os pequenos comerciantes, levando a eliminação destes). No século dezenove, o capitalismo avançou e cedeu ao espírito de cooperação entre as grandes empresas. Foi aí que o capitalismo avançado conseguiu ludibriar os ânimos, porque, em conseqüência da cooperação, ocultou-se a prova de que a competição implacável corresponde a uma lei da natureza. No capitalismo feudal do século dezenove, o controle baseado no exercício de princípios patriarcais, apoiados moralmente pela autoridade de Deus ou do rei só reforça a tese instintivista da seleção natural das espécies e da lei do mais forte ($). Hoje, mais do que nunca, esse conceito antigo continua com o nome de sistema global de economia (a modernidade), o novo nome do feudalismo, da concentração de renda, disfarçada de crescimento econômico, o capitalismo cibernético, com as suas gigantescas empresas centralizadas, os seus postos avançados através de mandatos parlamentares, oferecendo ao povo pão e circo (como diria Silvio Santos, o homem precisa de pão e de circo). É esse capitalismo é o mais apto a manter o controle das massas mediante manipulações psicológicas; esse capitalismo quer o homem maleável, sugestionável, diferente daquele homem que era controlado pelo medo e pela a autoridade. O sujeito ideal do capitalismo é o homem dominado pela propaganda e pelo consumo, o ser-de-preferências. Assim como o behaviorismo manipula animais em laboratório com fins de pesquisas psicológicas, a economia de mercado manipula as paixões existenciais, desperta, no indivíduo, o espírito do consumismo, aí tem a analogia entre as ciências psicológicas e as políticas econômicas, o que não poderia ser diferente já que a política (o poder) é uma das necessidades existenciais do homem, e tal paixão não é natural, promana do caráter da estrutura social que influencia o caráter do homem, o que depende de como é estruturado o caráter individual.
A psicologia carnívora
É muito fácil ensinar as pessoas a matar, esmagar e destruir; difícil é desenvolver os costumes que evitem isso. O homem tem uma psicologia carnívora. Muitos seres humanos sentem prazer em ver os outros seres humanos sofrer ou sentem prazer em matar outros animais... Os espancamentos e tortura pública são fatos comuns em muitas culturas. Se não se puder responsabilizar a qualificação predatória dos ancestrais hominídeos do homem pela sua inata agressividade, poderá haver um ancestral humano, um Adão pré-histórico, responsável pela queda do homem? As ciências sociais, mais notadamente, a antropologia e a paleontologia identificam esse Adão como sendo o homem na qualidade de caçador. Devemos a esses caçadores pré-históricos nossa biologia, nossa psicologia e nossos costumes.
Num sentido bastante real o nosso intelecto, interesses, emoções e a nossa vida social básica, __tudo constitui o produto evolucionário do processo de adaptação à caça. Quando a antropologia fala da unidade da espécie humana, ela está afirmando que as pressões de seleção do modo de vida de caçadores e de coletores de alimento eram tão idênticas e o resultado tão pleno de êxito que as populações do homo sapiens são ainda fundamentalmente as mesmas em toda parte. Mas qual é a psicologia do caçador? È a psicologia carnívora, plenamente desenvolvida do Plistoceno Médio (era quaternária), isto é, há cerca de 500,000 anos passados ou mesmo antes.
Cooperação e partilha
No século dezenove o capitalismo avançou e cedeu ao espírito de cooperação entre as grandes empresas, e foi aí que o capitalismo conseguiu ludibriar os ânimos, porque em conseqüência da cooperação, ocultou-se a prova de que a competição implacável corresponde a uma lei da natureza. A globalização corresponde ao sistema global de economia, e o que move esse sistema é a cooperação e a partilha entre os grandes conglomerados empresariais. O sintoma que a economia de mercado apresenta hoje não dá para ser investigado, dissecado por economistas de plantão. A Mirian Leitão assiste a uma partida de futebol sem nunca ver a bola, o Alexandre Garcia também. Para se entender o sistema global de economia, faz-se mister o conhecimento, primeiro, dos chimpanzés, depois, do autralapithecus afriacanus, ou seja, dos ancestrais mais remotos do homo sapiens a quem devemos nossa biologia, psicologia, e, principalmente os nossos costumes de caçador e coletor de alimento. Só mesmo uma psicologia carnívora há de explicar o por quê de se roubar tanto no Brasil.
Helder Alexandre Ferreira
Nenhum comentário:
Postar um comentário