terça-feira, 19 de agosto de 2008

M A D E I R A M E S

LXX


A voz que poderia ter sido e não foi.
Exílio da canção, a boca malferida,
A flor do lácio foi pela infernal descida,
A voz bem martelada agora ficou muda...
A voz que já cantou de amor atento agora
Privou a via Láctea de luz e energia.
A voz sumiu... E os homens tombam pelas ruas,
São mortos, sufocados por serpentes nuas...
Aquele antigo estilo aguado da canção,
Lá no perau profundo_ ardente de paixão_
A voz sumiu privando os loucos da janela;
A pane emudeceu a boca das sereias,
Que para ouvi-las as estrelas ficam mudas,
A voz sumiu no triângulo das bermudas.


Helder Alexandre Ferreira
MADEIRAMES: Cem sonetos de Eros.

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