terça-feira, 19 de agosto de 2008

A FUNÇÃO ALFA DO PENSAMENTO

A FUNÇÃO DO PENSAMENTO



Hoje eu gostaria de falar do pensamento. O pensamento é constituído dos elementos da função alfa, que é responsável pelo processo elaborativo do pensar. O aparelho do pensar tem uma dupla função: Sonhar durante o sono e, posteriormente, pensá-lo durante o estado de vigília, de tal modo que seja possível relembrá-los; a função alfa (pensamentos elaborativos) é a função reprodutiva do pensar. Para que alguém possa dormir... Talvez sonhar faz-se necessário que ele possua uma função alfa capaz de processar (executar) suas impressões sensoriais. De forma a transformá-las em elementos alfa; seriam usados na formação de processos mentais inconscientes durante os períodos de vigília, pensamentos oníricos (pensamentos do sonho) e recordações, lembranças, característica principal do pensamento elaborativo. Os elementos alfa, ao unirem-se entre si, formam uma barreira de contato que isola o consciente do inconsciente, estabelecendo uma passagem seletiva, ou seja, retendo informação. Se a função alfa é eficaz, o indivíduo pode discriminar entre estar dormindo e estar acordado, e então pode sonhar. As barreiras de contato (neurofisiologicamente falando) as trilhas neuronais seletoras da memória protegem o indivíduo contra os fenômenos mentais que poderiam sobrecarregar a consciência e, por outro lado, faz com que seja impossível que a consciência domine as fantasias. Protegem também o contato do indivíduo com a realidade, evitando sua distorção pelas emoções de origem interna. A função alfa do pensar equivale à percepção-consciência ou sistema perceptual, o sistema perceptivo de neurônios, os nossos radares ou nossas antenas, que nos mantêm em contato com o mundo externo. A função alfa, portanto, é a própria consciência, e essa consciência não é a mesma pretendida pela filosofia como sendo apenas o órgão dos sentidos. Segundo Freud, a consciência é o órgão da percepção e impressões sensoriais. A consciência percebe a coisa-em-si, e a transforma em elemento alfa, que entram na construção dos processos mentais, todos os processos mentais. O grande psicólogo Mira y Lopez dizia que o pensamento era produto da necessidade, que o bebê começa a pensar a partir de impulsos básicos como fome, sede, frio, etc. O processo psíquico do pensamento não existe em separado do processo onírico, porque os sonhos são construídos de pensamentos que o indivíduo experiência na vida acordada. Os sonhos não fazem parte do sobrenatural; quando sonhamos algo bizarro, absurdo, que estamos num bosque ou ao pé de um rio de águas claras; se virmos alguém de rosto congestionado ou dermos de cara com um quadrúpede nos oferecendo um chapéu, tudo isto faz parte dos pensamentos pré-conscientes, estes pensamentos existem do lado de fora da consciência, graças à função alfa do pensamento elaborativo, que, com suas barreiras do contato. Não deixa que o aparelho de pensar se sobrecarregue.

No próximo encontro, vamos falar dos pensamentos evacuatórios, constituídos pelos elementos beta, o que podemos chamar de acting out, que são processos mal elaborados e isto é muito comum no pensamento onírico, no sonho. São modos primitivos de comportamento também, maneiras arcaicas de lidarmos com a realidade, o acting out é uma descarga psíquica, uma projeção evacuatória no sentido de preencher o vazio da separação. Aquele meu soneto subterrâneo, publicado na Antologia da ALMECE, se lido por alguém que foi desmamado antes do tempo, é bem capaz de produzir em tal leitor uma projeção evacuatória. A identificação projetiva evacuatória promana do princípio de prazer. Mas deixemos este assunto para depois.

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