Ninguém sentiu o amor, se antes não foi tocado pelo gozo da beleza é um dos muitos modos de Aristóteles falar do amor, que nasce das ações que as coisas físicas exercem sobre o espírito por meio dos órgãos dos sentidos. O amor seria a apercepção da natureza, e tal experiência nasce da reflexão sobre as atividades que o espírito perfaz, fundamentado nas idéias já obtidas pelas sensações. Sensações são fenômenos psíquicos que vivenciamos na unidade de vivência de um eu; são percepções internas, e nelas experimentamos, exclusivamente, afetos e sentimentos, os estados de alma, ou seja, as emoções, e é em face de tais fenômenos internos que a psicologia passa a ser a ciências das aparições psíquicas. Mas tanto essa visão do amor como sendo uma força cósmica e o as conceituações filosóficas do século XVIII, exceto Schopenhauer, manifestam resistência a este tema tão delicioso. Husserl, Descartes, Kant, todos os filósofos positivistas intelectualizam sobremaneira o amor: (1) o amor é um fenômeno psíquico, (2) o amor é uma psicopatologia da alma, e, (3) o amor é um imperativo ético. Somente o melancólico Schopenhauer, em sua metafísica do amor, propõe que o amor é apenas o instinto de perpetuação da espécie e a única maneira de o homem alcançar a imortalidade, e nisso, Schopenhauer precede a metapsicologia freudiana com a suas pulsões de preservação e perpetuação da vida.
O amor na psicanálise não se reserva apenas às relações sexuais, mas sim a toda forma de obtenção de prazer, conseqüência da redução das tensões-necessidades. O nosso Aparato Psíquico não trabalha com a finalidade de eliminar as tensões-necessidades; A economia psíquica forceja no sentido do princípio de constância. Quando sentimos um impulso é o corpo cobrando trabalho da mente, e a mente procurará mecanismos para satisfazer as necessidades do corpo, uma vez que o corpo é a fonte da pulsão, e a sexualidade, o conjunto de fatores que proporcionam prazer em sua superfície. Então, se a fonte da pulsão (conceito psicanalítico) é o corpo, é porque a fonte da pulsão é o instinto (conceito biológico). Mas os seres humanos não são naturais; naturais são os animais irracionais. As pulsões não estão a serviço da procriação, assim como a sucção do bebê não está a serviço da nutrição; o fato da criança mamar é apenas um apoio biológico, o que o bebê busca é a satisfação das tensões-necessidades, prova disso é que a criança continuará sugando o dedo, a chupeta e assim por diante... As pulsões estão a serviço do prazer, elas atuam como estímulo para o psiquismo e constituem a força de estimulação endógena.
Eu não conheço o mapa de seus arquipélagos, as águas profundas de seu paraíso, mas lhe posso mostrar o espelho para que você veja os sonhos de sua infância se desenrolando da boca das sereias; eu posso ser o seu escafandrista e brincar com os finos peixes amarelos e azuis que celebram os seus cabelos; e os seus mares profundos são as águas do paraíso. O líquido para me adormecer já está pronto em suas conchas e corais em êxtase! Adormeçamos, pois, este sonho de domínio e conchas e corais em êxtase; este sonho que só adormece de mil em mil anos.
Gosto de sentir as suas mãos. Enlacemos as mãos esta noite e sejamos Amantes Submarinos para que Deus não nos venha nos descobrir.
Fiquemos de mãos enlaçadas...
Amo você.
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