segunda-feira, 18 de agosto de 2008

M A D E I R A M E S

LXVII


Constringi-te o silêncio, aqui, bastantemente.

Em não te desatar a voz da língua eu vejo

Perceberes a cópia apenas do desejo:

__Este comboio finge tão completamente

Que insuspeitado se insinua em tua mente,

Bênção é a arquitetura em sonho percebida,

Os êxtases supremos da infernal descida,

A boca malferida vai sentar-se à mesa...

E ao ver-te assim tão bela, e tímida, e indefesa,

Neste momento de silêncio e de beleza,

Quando obedeces ao desejo de sonhar...

Não faças caso, meu amor, por gentileza:

Se Apolo fere a minha lira presumida,

A consciência deste sonho tem mais vida.


MADEIRAMES
Cem sonetos de Amor
Helder Alexandre Ferreira

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